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  • EUA e China juntos contra o Brasil? Tarifas apertam o país em duas frentes

    EUA e China juntos contra o Brasil? Tarifas apertam o país em duas frentes

    ECONOMIA E POLÍTICA INTERNACIONAL

    EUA e China juntos contra o Brasil? Tarifas apertam o país em duas frentes


    Washington impõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros,
    enquanto Pequim cobra 55% sobre a carne bovina que ultrapassar a cota anual.
    As medidas não foram coordenadas, mas deixam um recado claro: quando seus
    interesses estão em jogo, as grandes potências fecham seus mercados.

    Por Samuel Sleiman | Blog do Muka
    Publicado em 17 de julho de 2026

    O Brasil está sendo pressionado comercialmente pelos dois maiores protagonistas da economia mundial.

    De um lado, o governo dos Estados Unidos anunciou uma tarifa adicional de
    25% sobre grande parte dos produtos brasileiros. Do outro, a China
    estabeleceu uma cota para a carne bovina importada do Brasil e passou a cobrar uma
    sobretaxa de 55% sobre o volume que ultrapassar esse limite.

    As duas decisões não fazem parte de uma ação conjunta entre Washington e Pequim. Os governos americano e chinês, inclusive, mantêm uma intensa disputa econômica e geopolítica entre si.

    Entretanto, para o Brasil, o resultado prático é semelhante: menos competitividade para os produtos nacionais, pressão sobre empresas exportadoras, risco para empregos e necessidade urgente de encontrar novos mercados.

    Não existe amizade automática no comércio internacional.
    Estados Unidos e China defendem seus produtores quando consideram necessário. O Brasil precisa aprender a proteger seus próprios interesses sem se tornar dependente de nenhum dos dois lados.

    Estados Unidos aplicam tarifa adicional de 25%

    No dia 15 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos originários do Brasil.
    [1]

    A cobrança entrará em vigor a partir das 00h01 do dia
    22 de julho de 2026, pelo horário da costa leste dos Estados Unidos.
    Existe uma regra de transição para determinadas mercadorias que já estavam em transporte antes dessa data.
    [2]

    A tarifa de 25% será acrescentada aos impostos que normalmente já são cobrados sobre cada produto. Isso significa que, em alguns casos, a carga total poderá ser superior aos 25% anunciados.

    Entre os setores potencialmente afetados estão produtos industrializados, máquinas, móveis, calçados, açúcar, etanol, produtos de madeira e outras mercadorias brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

    Nem todos os produtos brasileiros foram incluídos

    Apesar do discurso duro do governo americano, diversas mercadorias ficaram fora da nova cobrança.

    Entre as exceções citadas oficialmente pelo USTR estão:

    • carne bovina;
    • suco de laranja;
    • aeronaves e peças aeronáuticas;
    • produtos energéticos;
    • produtos submetidos a determinadas tarifas especiais da Seção 232;
    • matérias-primas sem oferta suficiente dentro dos Estados Unidos;
    • produtos cuja tributação poderia provocar desabastecimento ou prejuízos à economia americana.

    A lista de exceções mostra que os Estados Unidos também fizeram seus próprios
    cálculos. Washington evitou sobretaxar mercadorias brasileiras consideradas
    necessárias para suas indústrias ou para seus consumidores.
    [3]

    Ou seja: os americanos impuseram barreiras ao Brasil, mas procuraram preservar
    aquilo que poderia fazer falta ou ficar mais caro dentro do próprio país.

    Por que o governo Trump decidiu taxar o Brasil?

    A decisão foi tomada depois de uma investigação iniciada em julho de 2025, com
    base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

    Segundo o USTR, determinadas políticas e práticas brasileiras estariam
    prejudicando ou restringindo o comércio americano.

    As acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos envolvem:

    • comércio digital e atuação das plataformas tecnológicas;
    • serviços de pagamentos eletrônicos;
    • tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil a outros países;
    • fiscalização e aplicação das normas anticorrupção;
    • proteção da propriedade intelectual;
    • acesso do etanol americano ao mercado brasileiro;
    • combate ao desmatamento ilegal.

    O governo americano afirma que realizou consultas, audiências públicas e
    negociações com o Brasil antes da decisão final. De acordo com o USTR, mais de
    360 manifestações foram recebidas e 77 representantes participaram das audiências
    realizadas nos dias 6 e 7 de julho.
    [1]

    Brasil considera medida injusta e prepara reação

    O governo brasileiro rejeitou as acusações e classificou a medida como injusta
    e politicamente motivada.

    Entre as respostas em análise estão novas negociações diplomáticas, questionamentos
    na Organização Mundial do Comércio e a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

    Essa lei permite que o Brasil adote contramedidas quando outro país impõe barreiras
    consideradas prejudiciais aos interesses nacionais.

    Uma eventual reação, porém, deverá ser cuidadosamente construída. Aumentar
    indiscriminadamente as tarifas sobre produtos americanos também poderia encarecer
    máquinas, medicamentos, tecnologias, insumos e outros bens utilizados por empresas
    e consumidores brasileiros.

    Por isso, o governo estuda respostas envolvendo serviços, direitos de propriedade
    intelectual e interesses econômicos americanos, tentando evitar uma retaliação
    que provoque novos prejuízos dentro do Brasil.
    [4]

    China fecha a porteira para a carne brasileira

    A medida chinesa funciona de maneira diferente da tarifa americana.

    Desde 1º de janeiro de 2026, a China aplica um sistema de cotas para a importação de carne bovina proveniente dos principais países fornecedores.

    Para o Brasil, a cota estabelecida para 2026 foi de
    1,106 milhão de toneladas.
    [5]

    O produto exportado dentro desse limite permanece submetido à tributação ordinária.
    Quando a quantidade ultrapassa a cota, passa a ser cobrada uma tarifa adicional
    de 55%.

    Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná, o Deral, essa sobretaxa é
    adicionada à alíquota de 12% normalmente incidente sobre a carne, levando a
    tributação nominal do volume excedente a até 67%.
    [6]

    Na prática, uma cobrança desse tamanho pode eliminar a margem dos frigoríficos e tornar muitos negócios economicamente inviáveis.

    A China não tomou a medida apenas contra o Brasil

    É importante esclarecer que a salvaguarda chinesa não foi criada exclusivamente contra os produtos brasileiros.

    O mecanismo também atinge fornecedores como Austrália, Argentina, Uruguai,Nova Zelândia e Estados Unidos.

    A China afirma que a importação em grande escala estaria prejudicando seus
    pecuaristas e pressionando os preços internos. Por esse motivo, Pequim decidiu
    limitar as compras externas e proteger sua própria produção.

    A medida foi estabelecida inicialmente por três anos. A cota brasileira deverá
    subir gradualmente para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028.
    [5]

    Por que o impacto é tão grande para o Brasil?

    O Brasil se tornou extremamente dependente do mercado chinês para vender sua carne bovina.

    Em 2025, aproximadamente 53% de toda a carne bovina exportada pelo país teve
    a China como destino. Os embarques ao mercado chinês ficaram próximos de
    1,7 milhão de toneladas, volume muito superior à cota permitida para 2026.
    [5]

    Isso significa que, para evitar a tarifa de 55%, os frigoríficos brasileiros
    precisam reduzir significativamente os embarques ou encontrar outros compradores.

    O problema é que atualmente não existe outro mercado capaz de substituir a China
    no mesmo volume e com a mesma velocidade.

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, estimou
    que as exportações brasileiras de carne bovina podem cair aproximadamente 10%
    em 2026 por causa da restrição chinesa.
    [7]

    Impactos já chegam ao Paraná

    O Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Paraná informou, em boletim publicado no dia 16 de julho, que o preenchimento da cota chinesa já reduziu o ritmo das negociações no mercado brasileiro do boi gordo.

    No momento da elaboração do boletim, a arroba bovina estava cotada em R$ 328,10, acumulando uma queda de 2,5% no mês.
    [8]

    Segundo o Deral, os frigoríficos habilitados a exportar para a China são os mais diretamente atingidos. Parte da carne que deixará de ser enviada ao mercado chinês deverá ser redirecionada ao consumo interno.

    Esse movimento pode aumentar a oferta nos supermercados e provocar alguma nos preços nas próximas semanas.

    Entretanto, o próprio órgão estadual alerta que os preços ainda permanecem
    elevados. Em junho, os cortes dianteiros e traseiros apresentavam altas de 10%
    e 14%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2025.
    [8]

    A carne ficará mais barata para o consumidor?

    Existe a possibilidade de algum recuo, especialmente se uma quantidade maior de carne destinada à exportação permanecer no Brasil.

    Isso não significa, porém, que a queda chegará imediatamente ou integralmente aos supermercados.

    O preço pago pelo consumidor também depende de fatores como:

    • custo do gado;
    • alimentação dos animais;
    • energia elétrica;
    • combustíveis e transporte;
    • processamento industrial;
    • tributação;
    • margens de frigoríficos, distribuidores e supermercados.

    Além disso, uma redução prolongada no preço pago aos pecuaristas pode desestimular
    a produção. Se houver menor oferta no futuro, os preços poderão voltar a subir.

    As duas tarifas não são iguais

    Comparar apenas os percentuais de 25% e 55% pode levar a uma conclusão errada.

    A tarifa dos Estados Unidos possui alcance mais amplo e atinge diferentes produtos
    brasileiros. A medida foi tomada diretamente contra o Brasil depois de uma investigação comercial.

    A medida chinesa, por outro lado, está concentrada na carne bovina que ultrapassar
    a cota anual. Ela também é aplicada a outros países exportadores.

    Dentro do setor pecuário, contudo, o impacto da China pode ser mais intenso,
    porque o mercado chinês recebe praticamente metade da carne exportada pelo Brasil.

    Entenda a diferença:

    Estados Unidos: tarifa adicional de 25% sobre grande parte
    dos produtos brasileiros, com uma lista de exceções.

    China: tarifa adicional de 55% apenas sobre a carne bovina
    que ultrapassar a cota anual destinada ao Brasil.

    Conclusão: são barreiras diferentes, adotadas por motivos
    diferentes e sem evidência de coordenação entre os dois governos.

    O Brasil virou refém de seus grandes compradores?

    Durante anos, diferentes governos brasileiros comemoraram recordes de exportação para os Estados Unidos e para a China.

    Esse crescimento trouxe dólares, investimentos, produção e empregos. Mas também aumentou a dependência de poucos mercados.

    A China é fundamental para a venda de soja, minério de ferro, petróleo e carnes.
    Os Estados Unidos, por sua vez, possuem grande importância para produtos
    industrializados, máquinas, aeronaves, tecnologia e mercadorias de maior valor agregado.

    Quando um desses países fecha parte do mercado, diversos setores brasileiros
    sentem os efeitos quase imediatamente.

    Quando os dois adotam barreiras em um mesmo período, o problema fica ainda mais
    visível.

    O Brasil não precisa escolher entre Estados Unidos e China

    O debate não deveria ser reduzido a escolher um lado.

    O Brasil precisa manter relações comerciais com Estados Unidos, China, União
    Europeia, América Latina, África, Oriente Médio e demais mercados.

    Quanto maior a diversidade de compradores, menor será o risco de uma decisão
    estrangeira provocar uma crise dentro do país.

    Também é necessário vender mais do que matérias-primas. O Brasil precisa agregar
    valor à sua produção, fortalecer a indústria, investir em tecnologia e exportar produtos processados.

    Exportar soja, carne e minério é importante. Mas exportar alimentos industrializados,
    máquinas, softwares, medicamentos, aeronaves e tecnologias gera mais renda e empregos qualificados.

    O ponto do Muka


    As tarifas impostas pelos Estados Unidos e pela China mostram que nenhuma
    potência coloca os interesses brasileiros acima dos seus próprios interesses.

    Washington protege suas empresas. Pequim protege seus pecuaristas. Cada lado utiliza seu poder econômico para negociar e pressionar.

    O Brasil precisa abandonar a ilusão de que alinhamento político ou proximidade
    ideológica garantem portas abertas no comércio internacional.

    Não precisamos ser inimigos dos Estados Unidos nem da China. Precisamos negociar com os dois, respeitar os dois e, principalmente, fazer com que os dois respeitem o Brasil.


    Em relações internacionais, não existem amigos permanentes. Existem
    interesses permanentes.


    Bibliografia e fontes consultadas

    1. UNITED STATES TRADE REPRESENTATIVE – USTR.

      USTR Section 301 Action on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies,
      and Practices.

      Publicado em 15 de julho de 2026.
      Disponível em:

      USTR – decisão final sobre as tarifas contra o Brasil
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.
    2. UNITED STATES TRADE REPRESENTATIVE – USTR.

      Notice of Action: Brazil’s Acts, Policies, and Practices Related
      to Digital Trade and Other Matters.

      Federal Register Notice, 15 de julho de 2026.
      Disponível em:

      USTR – documento oficial e relação de produtos
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.
    3. UNITED STATES TRADE REPRESENTATIVE – USTR.

      Fact Sheet: President Trump Directs USTR Section 301 Action in
      Response to Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices.

      Disponível em:

      USTR – resumo das tarifas e principais exceções
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.
    4. REUTERS.

      Brazil readies “tough” response to new Trump tariffs, sources say.

      Publicado em 16 de julho de 2026.
      Disponível em:

      Reuters – possíveis medidas de resposta do Brasil
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.
    5. REUTERS.

      Brazil unclear whether beef in transit to China is subject to new
      import quotas.

      Publicado em 6 de janeiro de 2026.
      Disponível em:

      Reuters – cotas chinesas para a carne brasileira
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.

    6. SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO DO PARANÁ –
      SEAB.

      Boletim Conjuntural – Semana 27 de 2026.
      Departamento de Economia Rural – Deral.
      Publicado em 2 de julho de 2026.
      Disponível em:

      Deral – cota chinesa e tarifa sobre a carne bovina
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.
    7. REUTERS.

      Brazil’s beef exports could drop 10% in 2026 due to Chinese tariffs,
      says lobby ABIEC.

      Publicado em 5 de maio de 2026.
      Disponível em:

      Reuters – projeção da Abiec para as exportações
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.

    8. SECRETARIA DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO DO PARANÁ –
      SEAB.

      Boletim Conjuntural – Semana 29 de 2026.
      Departamento de Economia Rural – Deral.
      Publicado em 16 de julho de 2026.
      Disponível em:

      Deral – efeitos da cota chinesa no mercado do boi gordo
      .
      Acesso em: 17 jul. 2026.

    Tags:
    Estados Unidos, China, tarifas, Brasil, carne bovina, agronegócio,
    exportações, Donald Trump, Xi Jinping, economia, comércio internacional,
    Paraná e mercado do boi gordo.

    Palavra-chave principal:
    tarifas dos Estados Unidos e da China contra o Brasil.

  • A corrida eleitoral de 2026 entra em uma fase decisiva a partir da próxima segunda-feira, 20 de julho

    A corrida eleitoral de 2026 entra em uma fase decisiva a partir da próxima segunda-feira, 20 de julho

    Começa o período das convenções partidárias, encontros nos quais os partidos definem oficialmente seus candidatos, alianças e estratégias para a disputa de outubro.

    As convenções poderão ser realizadas até o dia 5 de agosto. É nesse período que os nomes apresentados até agora como pré-candidatos precisam receber a aprovação oficial de suas legendas.

    É hora de colocar os nomes na mesa

    As convenções partidárias funcionam como assembleias deliberativas. Nelas, dirigentes, delegados e demais integrantes autorizados pelas regras internas de cada partido decidem quem representará a legenda nas eleições.

    Além da escolha dos candidatos, os encontros também são utilizados para definir a composição das chapas, formalizar alianças permitidas pela legislação e organizar a estratégia partidária para a campanha.

    Até a realização da convenção, os interessados em disputar a eleição são considerados apenas pré-candidatos.

    É a partir da convenção que os partidos começam a transformar articulações políticas em decisões oficiais.

    Escolha do partido não garante candidatura

    Ser aprovado em uma convenção partidária é uma etapa indispensável, mas não significa que a candidatura já esteja garantida.

    Depois do encontro, o partido deve elaborar a ata da convenção e apresentar o pedido de registro à Justiça Eleitoral. O nome escolhido somente poderá concorrer após a análise e o deferimento desse registro.

    Na prática, a convenção representa a decisão política da legenda. Já o registro é o controle jurídico realizado pela Justiça Eleitoral.

    O que pode impedir um candidato de concorrer?

    Mesmo depois de escolhido pelo partido, o registro de uma candidatura poderá ser negado por diferentes motivos, entre eles:

    • ausência de alguma condição de elegibilidade;
    • existência de causa de inelegibilidade;
    • irregularidades na documentação apresentada;
    • impugnação feita pelo Ministério Público, por partidos ou adversários;
    • cancelamento ou substituição nas hipóteses previstas em lei.

    Somente após a decisão da Justiça Eleitoral o candidato estará efetivamente autorizado a participar da disputa.

    Acordos geralmente são definidos nos bastidores

    Apesar de a convenção ser o momento oficial da escolha, muitos partidos chegam ao encontro com seus principais nomes e alianças previamente acertados.

    Durante a pré-campanha, lideranças partidárias negociam espaços, constroem chapas e tentam administrar divergências internas. Por isso, em muitos casos, a convenção funciona como uma homologação pública de decisões tomadas anteriormente.

    Isso não impede, porém, que ocorram disputas internas, desistências ou mudanças de última hora.

    Quem pode participar das convenções?

    Não existe um modelo único. A composição da convenção depende do estatuto e das normas internas de cada partido.

    Normalmente, podem participar e votar:

    • integrantes dos diretórios partidários;
    • delegados escolhidos pela legenda;
    • parlamentares filiados;
    • membros de comissões partidárias;
    • outros convencionais previstos no estatuto do partido.

    Cidadãos comuns podem acompanhar as convenções quando os encontros forem abertos ao público, mas não possuem direito de voto, salvo quando integram formalmente o colégio de convencionais da legenda.

    Disputa começa a ganhar nomes oficiais

    Com o início das convenções, as especulações começam a dar lugar às definições. Os próximos dias deverão ser marcados por anúncios, alianças, desistências, mudanças de chapa e possíveis surpresas nos bastidores.

    A campanha eleitoral ainda depende das etapas previstas no calendário oficial, mas a disputa pelos espaços nas urnas já entra em seu momento mais intenso.

    Agora, os partidos terão que mostrar quem realmente está no jogo.


  • TRE suspende pesquisa, pré-candidatos se movimentam e o jogo de 2026 já começa nos bastidores do Paraná

    TRE suspende pesquisa, pré-candidatos se movimentam e o jogo de 2026 já começa nos bastidores do Paraná

    Ratinho Junior, nome central no xadrez sucessório do Paraná

    Blog do Muka | Política do Paraná

    A suspensão de um levantamento eleitoral reacendeu o debate sobre metodologia, isonomia e influência política, ao mesmo tempo em que expôs o avanço das articulações para o Governo do Estado e para o Senado.

    Por Redação Blog do Muka
    Análise política com foco em gestão pública, governança e cenário pré-eleitoral no Paraná

    A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná de suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral contratada pelo PL recolocou no centro do debate um tema fundamental para a democracia: a credibilidade dos levantamentos de opinião. Mais do que uma disputa jurídica, o episódio revela que a corrida de 2026 já está em curso — não apenas nas ruas, mas também nos tribunais, nas estratégias partidárias e na construção de narrativas.

    A controvérsia gira em torno da forma como alguns nomes foram apresentados no questionário. Segundo a decisão noticiada, determinados pré-candidatos apareciam associados a padrinhos políticos de forte apelo eleitoral, enquanto outros não recebiam o mesmo tratamento. Em outro ponto sensível, o senador Sergio Moro surgia em todos os cenários simulados de segundo turno, o que levantou questionamentos sobre possível desequilíbrio na exposição dos concorrentes.

    O que está em jogo além da pesquisa?

    Quando uma pesquisa é judicializada, a discussão deixa de ser apenas estatística. Ela passa a envolver isonomia eleitoral, transparência metodológica, influência sobre a opinião pública e integridade do processo democrático. Em linguagem simples: não se discute só quem está na frente, mas como a pergunta foi feita e que efeito isso produz no eleitor.

    Senador Sergio Moro
    Sergio Moro aparece como um dos nomes mais fortes no tabuleiro do Governo do Paraná.

    Quem são os nomes mais falados para o Governo do Paraná?

    No campo do governo estadual, o nome mais citado no início de 2026 é o do senador Sergio Moro, que aparece com protagonismo nas movimentações políticas e em levantamentos recentes. Mas a situação está longe de ser simples. Apesar da força eleitoral, a viabilidade partidária de sua candidatura ainda depende de arranjos internos e da composição entre União Brasil e Progressistas.

    Do lado governista, o grupo do governador Ratinho Junior continua sendo peça central da sucessão. Embora o PSD ainda trabalhe com cautela, três nomes são recorrentemente apontados como alternativas para representar a continuidade do projeto estadual: Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca. Cada um reúne atributos diferentes — capilaridade institucional, experiência política ou recall administrativo.

    Na oposição, Requião Filho também se mantém no radar como pré-candidato e tenta consolidar um campo alternativo com discurso crítico ao grupo governista e ao avanço de Moro. Em paralelo, Paulo Martins corre por fora e busca espaço em um cenário ainda marcado por indefinições.

    Sergio Moro

    Sergio Moro

    Nome de maior tração no debate inicial sobre o Governo do Paraná, mas ainda cercado por negociações partidárias decisivas.

    Requião Filho

    Requião Filho

    Busca ocupar o campo oposicionista e aparece como um dos nomes mais lembrados nos cenários alternativos ao bloco governista.

    Ratinho Junior

    Ratinho Junior

    Mesmo sem ser o candidato da sucessão estadual até aqui, segue como principal fiador do bloco governista e ator central na escolha do sucessor.

    E no Senado, quem já se movimenta?

    A disputa pelo Senado também começou a ganhar contornos mais nítidos. Entre os nomes com maior circulação política estão Gleisi Hoffmann, Filipe Barros, Álvaro Dias e Cristina Graeml, além de outros atores que ainda avaliam o melhor posicionamento dentro das chapas majoritárias.

    Gleisi entra no xadrez como nome estratégico para fortalecer o palanque de Lula no Paraná. Filipe Barros tenta ocupar o espaço da direita bolsonarista. Álvaro Dias reaparece como figura experiente, com peso histórico e forte lembrança do eleitorado. Já Cristina Graeml depende diretamente da configuração do campo ligado a Moro e das definições da federação partidária.

    Na prática, isso significa que a eleição de 2026 no Paraná não será apenas uma disputa de nomes, mas uma batalha entre campos políticos, alianças nacionais e capacidade de montagem de chapa.

    Gleisi Hoffmann
    Gleisi Hoffmann é um dos nomes mais citados na articulação para o Senado em 2026.

    O que isso ensina sob a ótica da gestão pública?

    Na gestão pública, o debate sobre pesquisas eleitorais não é periférico. Ele toca em princípios essenciais como transparência, impessoalidade, equilíbrio institucional e confiança pública. Uma democracia saudável exige que a informação chegue ao cidadão com critérios técnicos claros e sem indução.

    Quando a Justiça intervém para suspender a divulgação de uma pesquisa, o recado institucional é forte: método importa. Não basta publicar números. É preciso garantir que o desenho do questionário, a construção dos cenários e a exposição dos nomes respeitem parâmetros mínimos de neutralidade.

    Também há um segundo recado, menos jurídico e mais político: os grupos já estão em movimento. Com calendário eleitoral avançando, pré-candidatos precisam observar prazos de desincompatibilização e construir viabilidade real dentro de seus partidos e federações. Ou seja, a campanha pode ainda não ter começado oficialmente, mas o planejamento dela já está em marcha.

    Resumo do cenário hoje

    • O TRE-PR suspendeu a divulgação de uma pesquisa por questionamentos sobre isonomia e neutralidade.
    • Sergio Moro segue como nome de maior protagonismo no debate do governo.
    • Ratinho Junior continua como o principal articulador do campo governista.
    • Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca seguem no radar da sucessão.
    • Requião Filho tenta consolidar o campo de oposição no governo.
    • No Senado, Gleisi Hoffmann, Filipe Barros, Álvaro Dias e Cristina Graeml aparecem entre os nomes mais observados.
    • O cenário ainda é pré-eleitoral, sujeito a mudanças rápidas, alianças e reacomodações partidárias.

    Conclusão da Redação

    A suspensão da pesquisa não encerra o debate. Ao contrário: ela amplia a atenção sobre a disputa de 2026 e mostra que, no Paraná, a sucessão estadual já entrou em fase de tensão estratégica. O eleitor, por sua vez, precisa observar menos o barulho das manchetes e mais a qualidade da informação, a consistência das alianças e a capacidade real de cada nome para governar.

    No fim das contas, o jogo eleitoral não se resume a quem aparece melhor em uma fotografia momentânea. Ele depende de estrutura partidária, tempo, narrativa, credibilidade e capacidade de dialogar com um Paraná que cobra resultado, estabilidade e gestão.

    Blog do Muka

    Conteúdo independente com olhar crítico sobre política, gestão pública, comunidade e os bastidores do Paraná.

  • 20 Maneiras de Tentar Explicar o que é Acordar com Fibromialgia

    20 Maneiras de Tentar Explicar o que é Acordar com Fibromialgia

    Por Samuel Sleiman • Blog do Muka PG

    Existe uma dor que não aparece no exame. Existe um cansaço que não passa com uma noite de sono. E existe um olhar que muitos interpretam como “desânimo”, mas que na verdade é resistência.

    A fibromialgia é uma das condições mais incompreendidas da atualidade. Ela não sangra, nem “aparece” como muitos esperam. Mas consome energia, foco, sono e qualidade de vida.

    Muita gente ainda diz: “É psicológico.”“Você parece normal.”“Todo mundo sente dor.”
    Por isso, às vezes, a melhor forma de explicar é por imagens mentais — não para dramatizar, mas para gerar empatia.

    Um detalhe que muita gente não sabe: sono não reparador e sonhos vívidos

    Não é raro acordar com a sensação de ter “vivido” a noite inteira: sonhos intensos, sono fragmentado, corpo pesado e mente cansada. Para quem tem fibromialgia, dormir nem sempre significa descansar.

    20 maneiras de imaginar como é

    1. Imagine a pior gripe da sua vida… multiplicada. Agora some a sensação de ter sido atropelado.
    2. Imagine correr 10 km gripado. E no dia seguinte esperarem que você repita como se nada fosse.
    3. A dor muda de lugar. Quando você se acostuma com uma, ela aparece em outro ponto.
    4. Como um “homem de lata”: todas as juntas precisando de óleo — e alguém colocando calor nos músculos.
    5. Um dia você se sente prisioneiro do próprio corpo: quer fazer, mas o corpo negocia cada passo.
    6. Como ter levado pancadas invisíveis: músculos doloridos, tensão constante, rigidez.
    7. Pontadas aleatórias: como se algo estivesse cutucando nervos e articulações sem aviso.
    8. Ressaca, gripe e exaustão… ao mesmo tempo.
    9. Como se alguém apertasse seus músculos por dentro, sem você conseguir impedir.
    10. Uma mochila pesada nos ombros o dia inteiro — e o corpo “pede” para deitar.
    11. Estar cansado e ainda assim não conseguir dormir direito. O cérebro não desliga.
    12. Tarefas simples viram maratona: banho, roupa, cabelo… e depois precisa descansar.
    13. Pele sensível ao toque, frio que dói, cheiros que incomodam. O corpo fica hiperreativo.
    14. Dor que queima — como se viesse de dentro para fora.
    15. Uma ladra de energia: você nunca sabe como vai acordar. Não há dois dias iguais.
    16. Sensação de músculos sendo puxados e tensionados por dentro, sem descanso.
    17. Névoa mental: perde palavras no meio da frase, esquece o que ia dizer, confunde horários.
    18. Nas crises, parece ácido queimando por dentro. Nos dias “normais”, a dor fica no fundo, te limitando.
    19. Como estar sendo puxado em direções opostas: articulações instáveis, corpo desalinhado, exaustão.
    20. Acordar cansado — mesmo depois de “dormir”. É o famoso sono não reparador.

    O que ninguém vê

    O mais difícil não é só a dor. É parecer normal. É ser julgado. É ouvir que é “frescura”. É se sentir culpado por não render como antes.

    Fibromialgia é reconhecida pela medicina e envolve alterações reais na forma como o sistema nervoso processa dor e estímulos. A pessoa não está “inventando”. Ela está sobrevivendo.

    Um recado final

    Nem todo dia é igual. Há dias bons, dias suportáveis e dias difíceis. Mas todos exigem uma coisa: coragem.

    Se você convive com fibromialgia, saiba: você não está sozinho.
    E se você conhece alguém que convive, talvez hoje você tenha entendido um pouco mais.
    Empatia também é tratamento.

    Se esse texto te ajudou, compartilhe com alguém que precisa entender o que não aparece no exame, mas aparece no olhar.

    Assinatura:
    Samuel Sleiman • Administrador Social (CRA-PR 33.049) • Ponta Grossa/PR

  • Quando a estética convence mais que a saúde

    Quando a estética convence mais que a saúde

    O debate seletivo sobre ciência, medicamentos e prioridades sociais

    Por Samuel Sleiman — Jornalismo e Análise Social | Blog do Muka

    Debate sobre estética, saúde e ciência
    A relação contraditória da sociedade com medicamentos, ciência e estética.

    O debate em torno do uso de medicamentos como o Mounjaro expõe uma contradição cada vez mais evidente no comportamento social contemporâneo: a seletividade na forma como a ciência é aceita, questionada ou rejeitada.

    Quando o assunto são vacinas, políticas públicas de saúde ou ações coletivas, parte significativa da população reage com desconfiança. Exige estudos, questiona intenções, suspeita de interesses econômicos e politiza decisões técnicas. Em muitos casos, a ciência passa a ser tratada como opinião.

    No entanto, quando o tema é estética, emagrecimento rápido ou adequação a padrões corporais, a postura muda radicalmente. O questionamento desaparece. A prescrição informal é relativizada. O risco passa a ser considerado aceitável — desde que o resultado seja visível e imediato.

    Essa incoerência não diz respeito apenas ao medicamento em si, mas ao valor que a sociedade atribui ao corpo, à aparência e à validação social. O que deveria ser uma discussão séria sobre saúde, acompanhamento médico e critérios técnicos acaba reduzido a uma lógica de consumo.

    Questionar é saudável. Desconfiar também faz parte do exercício democrático. O problema surge quando esse questionamento é aplicado de forma seletiva — rigoroso para o que é coletivo e permissivo para o que atende desejos individuais.

    O jornalismo, a saúde pública e a gestão responsável têm um papel fundamental nesse cenário: recolocar o debate no eixo da coerência, da informação qualificada e da responsabilidade social. Não se trata de demonizar medicamentos ou impor verdades absolutas, mas de exigir o mesmo critério para todas as decisões que envolvem risco, ciência e vida.

    A ciência não pode ser confiável apenas quando convém.


    Bibliografia e referências

    Blog do Muka — Jornalismo, análise política e reflexão social

    Sobre o autor
    Samuel Sleiman - Blog do Muka

    Samuel Sleiman

    Administrador Social, líder comunitário, consultor institucional e editor do Blog do Muka. Atua com análise política, gestão pública, controle social, projetos do terceiro setor e comunicação institucional, sempre com foco em transparência, responsabilidade pública e desenvolvimento social.

    🔗 blogdomuka.com.br

  • Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa?

    Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa?

    Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa – valor venal, PGV e IVA Dual

    Valor venal, Planta Genérica de Valores e a adequação dos municípios ao novo sistema tributário (IVA Dual)

    O reajuste do IPTU em Ponta Grossa voltou a gerar dúvidas, críticas e questionamentos entre os contribuintes. Muitos moradores afirmam que seus imóveis não passaram por qualquer alteração e, ainda assim, o valor do imposto aumentou.

    A sensação é compreensível. No entanto, o IPTU não incide apenas sobre a construção em si, mas sobre um conjunto de fatores que envolvem localização, infraestrutura urbana, valor de mercado e políticas fiscais do município.

    Nos últimos anos, esse debate ganhou um novo elemento: a reforma tributária e a transição para o chamado IVA Dual, que tem impactado diretamente o planejamento financeiro das cidades brasileiras.

    Correção monetária: o reajuste anual

    Um dos fatores do aumento do IPTU é a aplicação anual da correção monetária, normalmente baseada em índices oficiais de inflação, como o IPCA.

    Tecnicamente, essa atualização não é considerada aumento real, mas um mecanismo para evitar a perda do poder de arrecadação do município diante da inflação acumulada.

    Valor venal e a Planta Genérica de Valores (PGV)

    O IPTU é calculado com base no valor venal do imóvel, definido pela Planta Genérica de Valores (PGV), que estabelece quanto valem os imóveis em cada região da cidade.

    Quando a PGV é atualizada, bairros que passaram por valorização urbana acabam tendo uma base de cálculo maior. Essa valorização pode decorrer de:

    • pavimentação e obras viárias;
    • melhorias em iluminação pública e drenagem;
    • expansão comercial e de serviços;
    • crescimento urbano e adensamento populacional.

    Mesmo que o imóvel não tenha sofrido reformas, a valorização do entorno influencia diretamente no imposto.

    A reforma tributária e o IVA Dual

    A reforma tributária aprovada no Brasil criou um novo modelo de tributação sobre o consumo, conhecido como IVA Dual, composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal).

    Esse sistema substituirá gradualmente tributos como o ISS e o ICMS, que hoje representam parcela relevante das receitas públicas. Durante o período de transição, os municípios precisam demonstrar organização fiscal, base cadastral atualizada e capacidade arrecadatória própria.

    Nesse cenário, a atualização do IPTU e do valor venal dos imóveis passa a ser uma medida técnica de adequação, necessária para que cidades como Ponta Grossa:

    • mantenham equilíbrio financeiro;
    • evitem perda de repasses futuros;
    • consigam planejar políticas públicas de médio e longo prazo.
    Importante:

    A adequação do IPTU ao novo contexto tributário não tem como objetivo exclusivo aumentar a carga sobre o cidadão, mas alinhar a base de cálculo à realidade urbana e às exigências do sistema nacional.

    O direito do contribuinte

    O contribuinte tem o direito de solicitar revisão do valor venal sempre que identificar erros cadastrais, avaliações incompatíveis com a realidade do imóvel ou ausência de critérios claros.

    Transparência, acesso à informação e canais efetivos de contestação são fundamentais para garantir justiça tributária.

    O desafio de Ponta Grossa — assim como o de outros municípios — é equilibrar a necessidade de adequação fiscal ao novo sistema tributário com a realidade econômica da população.

    O debate sobre o IPTU precisa ir além da polarização e avançar para critérios técnicos, comunicação clara e responsabilidade institucional.

    Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto

    Administrador Social, Líder Comunitário e consultor em gestão institucional e políticas públicas. Atua na análise de orçamento público, justiça fiscal, desenvolvimento local e transparência.

    Autor do Blog do Muka • Ponta Grossa – PR

  • Nosso voto é um recado: menos distração, mais resultado

    Nosso voto é um recado: menos distração, mais resultado

    Blog do Muka • Opinião 28/12/2025 Política • Voto • Consciência

    Meu voto é um recado: menos distração, mais resultado

    Em ano pré-eleitoral, muita gente quer te empurrar emoção. Eu prefiro responsabilidade, coerência e prioridade: o que muda a vida do povo de verdade.

    Arte crítica sobre inauguração e apropriação política
    Política é coisa séria — e o voto também • Blog do Muka

    Tem hora que o Brasil parece um grande palco: muita fala, muita pose, muito “corta-fita”… e pouco compromisso com o essencial. E é justamente por isso que eu escrevo este texto: porque voto não é torcida. Voto é ferramenta.

    Meu critério é simples: eu observo quem entrega, quem respeita o dinheiro público, quem enfrenta os problemas reais e quem não tenta me tratar como plateia.

    1) O voto que eu defendo: consciente e sem “histeria seletiva”

    A política vive tentando escolher por você o que deve te indignar. Um dia é slogan, outro dia é polêmica fabricada, outro dia é “escândalo do momento”. Só que enquanto isso, tem tema que não pode virar ruído: saúde, segurança, inflação, emprego, educação, infraestrutura e transparência.

    Eu não compro distração como se fosse prioridade. Minha prioridade é vida real: a fila, o posto, o remédio, a rua, a escola, o trabalho.

    2) Política não é “meme”: é consequência

    Quem acha que voto é só opinião do dia, esquece de uma coisa: governo é decisão que chega na ponta. E quando chega, chega com boleto: no imposto, no preço do mercado, na tarifa, no atendimento, no serviço.

    Checklist do meu voto (sem romantismo)

    • Entrega: o que foi feito, comprovável e útil?
    • Coerência: o discurso bate com a prática?
    • Transparência: presta contas ou se esconde atrás de marketing?
    • Prioridade: resolve o essencial ou vive de polêmica?
    • Respeito: trata o povo como cidadão ou como torcida?

    3) O que eu não aceito mais: apropriação, atalho e propaganda

    Eu não aceito “sequestrar mérito” nem vender evento como se fosse obra. Obra pública tem dono: a população. E tem obrigação: ser entregue com verdade, clareza e responsabilidade.

    Se uma narrativa precisa forçar a barra, atacar a inteligência do povo ou esconder contexto, então não é informação: é propaganda.


    Meu recado final

    Eu não quero um país guiado por “viral do dia”. Eu quero um país guiado por resultado, verdade e coragem para encarar o que importa. E eu vou votar — e falar de voto — com esse compromisso.

    Convite ao leitor: antes de escolher, compare fatos, leia fontes diferentes, desconfie de recortes e pergunte: isso melhora a vida do povo?

    Nota: este é um texto opinativo. A intenção é incentivar reflexão e voto consciente, com respeito a divergências.

    Publicado por Blog do Muka • Opinião, utilidade pública e análise com linguagem acessível.

    Sobre o autor blogdomuka.com.br
    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto - Blog do Muka

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto (Muka)

    Administrador Social e Líder Comunitário em Ponta Grossa (PR). Atua com comunicação pública, projetos sociais e análise de temas locais e nacionais, com foco em transparência, gestão pública, direitos sociais e cidadania.

    Gestão Pública Previdência & Direitos Sociais Projetos Sociais

    “Informação que constrói consciência.”

  • Post sem título 1459
    O Caso Odete Roitman e a Minha História com a Justiça
    Blog do Muka | Crônica & Cidadania
    O Caso Odete Roitman e a Minha História com a Justiça
    Entre luz e sombra: quando a verdade precisa atravessar o mistério para ser reconhecida.
    Capa criada por Blog do Muka (SVG embutido, livre para uso no post)

    O Caso Odete Roitman e a Minha História com a Justiça

    Por ·

    Uma trama de documentos, perícias e fé — quando a verdade encontra o seu caminho.

    Em poucas linhas: Minha luta no INSS e contra a Spal mostra como a verdade pode atrasar, mas não falha. Organizar provas, traduzir a dor em limitações funcionais e insistir com método é o caminho para transformar sofrimento em justiça.

    Há décadas, o Brasil parou diante de uma pergunta: “Quem matou Odete Roitman?” A trama não era apenas sobre um crime, mas sobre verdades escondidas, interesses cruzados e o poder de manipular narrativas. No fundo, representava a própria confusão entre o que é justo e o que é conveniente. De certa forma, eu também vivi — e ainda vivo — um caso que poderia levar o mesmo nome.

    ⚖️ A Trama do INSS

    Meu processo com o INSS se arrasta como um roteiro cheio de capítulos, laudos e contradições. Entre perícias, recursos e documentos, o que deveria ser uma análise técnica virou um drama humano, em que a dor real se perdeu no meio da burocracia.

    Mesmo com diagnósticos claros — dor crônica, fibromialgia, paraparesia e limitações físicas comprovadas —, o reconhecimento demorou, como se a verdade precisasse de autorização para existir. Cada exame novo, cada relatório médico, é como uma cena que reescreve o enredo e mostra que a história sempre foi real, apenas mal interpretada.

    🏭 A Trama Contra a Spal

    Se no INSS o drama é a lentidão, contra a Spal/Coca-Cola o enredo é o silêncio. Um acidente de trabalho real não teve a CAT emitida na época, distorcendo toda a história judicial. Anos depois, um ex-técnico de segurança confirma por e-mail que a CAT foi orientada, mas nunca registrada. Enquanto isso, as sequelas aumentaram, os diagnósticos se multiplicaram e a dor virou rotina.

    Hoje, o que era dúvida virou prova viva de negligência, e o que parecia uma causa perdida começa a se transformar em um caso de reparação e verdade.

    “Justiça é a verdade organizada. Meu plano é organizar a minha.”

    🔎 A Verdade Sempre Encontra um Caminho

    Assim como no famoso caso da novela, a grande revelação não veio de repente. Veio aos poucos — em documentos, laudos, datas, e sobretudo em fé. A verdade tem seu tempo. Às vezes é calada, distorcida ou esquecida, mas nunca deixa de existir.

    Eu não busco vingança. Busco justiça. Não procuro culpados. Procuro reconhecimento.

    Porque cada dor ignorada é uma história que o sistema tenta apagar — e eu decidi não permitir isso.

    🌅 Epílogo

    Talvez a minha história não renda uma novela, mas tem todos os elementos de uma: drama, resistência, silêncio, injustiça e, principalmente, esperança. E se na televisão a pergunta era “quem matou Odete Roitman?”, na vida real a pergunta é:

    “Quando a verdade vai, enfim, ressuscitar o que a injustiça tentou enterrar?”

    Enquanto isso, sigo em frente — com documentos nas mãos, fé no coração e a certeza de que a verdade, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra um caminho.

    — Samuel S. M. Neto

    Se esta história te tocou, compartilha com alguém que também está lutando por reconhecimento. Leia, comente e fortaleça a rede.

  • Lei amplia compra da agricultura familiar para o PNAE

    Lei amplia compra da agricultura familiar para o PNAE

    Lei amplia compra da agricultura familiar para o PNAE

    Publicado em 07 de outubro de 2025 | Por Blog do Muka

    Crianças recebendo merenda escolar

    Imagem ilustrativa de merenda escolar

    Foi sancionada a Lei nº 15.226/2025, que reforça o vínculo entre a agricultura familiar e a merenda escolar no Brasil. A partir de 1º de janeiro de 2026, o PNAE deverá reservar ao menos 45% de seus recursos para compras diretas de agricultores familiares, assentamentos e comunidades tradicionais.

    Principais mudanças trazidas pela lei

    A nova norma amplia o percentual anterior de 30% para 45%, buscando fortalecer a produção local e valorizar agricultores que estão mais próximos das escolas. Essa mudança representa um incremento substancial de investimento direto na economia rural local.

    “O PNAE é um eixo essencial para garantir segurança alimentar e nutricional, promovendo alimentação saudável, valorizando a cultura local e impulsionando a economia das pequenas comunidades.”
    Camilo Santana, ministro da Educação.

    O programa é organizado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e atende cerca de 40 milhões de alunos na educação pública básica. Com um orçamento de R$ 5,5 bilhões ao ano, a nova regra destinará aproximadamente R$ 2,4 bilhões extras para compras diretas da agricultura familiar.

    Regras e cuidados adicionais

    A lei exige que os alimentos entregues tenham prazo de validade que cubra no mínimo metade do tempo entre a fabricação e a data final de validade — salvo nos casos de produtos in natura vindos da agricultura familiar. Além disso, os Conselhos de Alimentação Escolar (CAE) passam a supervisionar não só a execução orçamentária, mas também a variedade, qualidade e validade dos gêneros adquiridos.

    Essa mudança reforça o compromisso do PNAE com a alimentaçāo saudável, com a sustentabilidade e com o desenvolvimento das comunidades agrícolas — consolidando o Brasil como referência em políticas de nutrição escolar.

    Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto é Administrador Social, líder comunitário e fundador do Blog do Muka. Atua com projetos de educação, políticas públicas e fortalecimento de comunidades locais.

  • Post sem título 1440

    🖤 Jovem de Ponta Grossa parte após corajosa luta contra o câncer

    Publicado em 07 de outubro de 2025 | Por Redação Blog do Muka

    A cidade de Ponta Grossa amanheceu tomada pela emoção nesta segunda-feira (6), com a triste notícia do falecimento de Mayara Pereira, uma jovem de apenas 28 anos que travou uma batalha inspiradora contra o câncer. Ela estava internada na Santa Casa de Ponta Grossa, onde recebeu seus últimos cuidados com fé e coragem.

    “Agradeço a Deus por me dar forças a cada dia para chegar até aqui. Agora é seguir confiante, com a certeza de que a cura já foi alcançada.” – Mayara Pereira, em março de 2025.

    Natural de Ponta Grossa, Mayara atuava como auxiliar de laboratório e era reconhecida pelo sorriso sincero e pela serenidade com que enfrentava as dificuldades. Sua fé e esperança foram exemplo para todos que acompanharam sua jornada.

    Em março deste ano, ela celebrou o encerramento de seu tratamento, tocando o sino da vitória no Hospital Santa Casa. Aquele momento foi marcado por lágrimas, aplausos e gratidão — um símbolo de que a força humana vai além da dor.

    Mayara Pereira - homenagem Mayara Pereira tocando o sino da vitória Mayara Pereira durante homenagem

    “A vida é feita de ciclos. E cada vitória merece ser celebrada.”

    🌹 Despedida e homenagem

    O corpo de Mayara foi velado na Capela da Funerária Princesa e o sepultamento ocorreu às 10h de hoje terça-feira (7), no Cemitério Parque Campos Gerais. Amigos e familiares se reúniram para prestar as últimas homenagens a uma mulher que partiu cedo, mas deixou uma história de amor, fé e superação.

    Mayara deixa uma filha de oito anos, que era sua maior inspiração e razão de seguir firme durante o tratamento. Sua lembrança permanecerá viva no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la.

    A trajetória de Mayara é um lembrete de que a vida é frágil, mas o amor e a fé são eternos. Em cada passo, ela ensinou que mesmo nas horas mais sombrias, há espaço para gratidão e esperança.

    ✍️ Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto é Administrador Social, Líder Comunitário e Presidente do Instituto União Colônia Dona Luiza. Com formação em Gestão Pública, Gestão Ambiental e Direito, atua em projetos sociais que unem fé, inovação e solidariedade. Fundador do Blog do Muka, dedica-se a contar histórias reais que inspiram transformação e empatia.