Eu acompanho de perto a política de frota da Câmara Municipal de Ponta Grossa. Em fevereiro de 2024, a imprensa local noticiou e criticou a primeira licitação para alugar veículos: seriam 11 carros zero km (10 populares e 1 SUV/pick-up) por até R$ 875 mil em dois anos. Foi manchete, debate e cobrança.
Passado pouco mais de um ano, o cenário mudou – e muito. Agora existe um contrato de 23 carros, que vai custar R$ 2,28 milhões em três anos. A frota mais do que dobrou e o valor praticamente triplicou. E o que eu vejo? Silêncio da imprensa. O mesmo rigor de 2024 parece ter ficado para trás.
O que mudou (e me preocupa)
- Número de veículos: são 19 vereadores e 23 carros. Quem justifica os 4 a mais?
- Custo: de R$ 875 mil/2 anos para R$ 2,28 milhões/3 anos.
- Identificação: antes se falava em veículos plotados; agora, os carros não têm plotagem, o que dificulta a fiscalização popular.
- Uso e quilometragem: recebo denúncias de uso fora da finalidade do contrato. E cada carro tem limite de 3.000 km/mês; tudo indica que será ultrapassado, gerando custo extra ao erário.
O que a lei diz (e o que isso NÃO resolve)
Existe parecer jurídico atestando que o processo licitatório foi feito conforme a Lei 14.133/2021. Eu não contesto a legalidade. Mas legalidade não é sinônimo de boa aplicação do dinheiro público. Faltam respostas sobre necessidade real, transparência e eficiência desse gasto.
Minha posição
Eu já estive do lado de dentro: fui chefe do Departamento Administrativo da Câmara e, com a mudança de presidência, fui exonerado. Sigo, porém, como cidadão e líder comunitário, cobrando transparência e responsabilidade no uso do dinheiro público.
Eu quero clareza: por que a frota pulou de 11 para 23 veículos? Quem controla a destinação, a quilometragem e o abastecimento desses carros, especialmente sem plotagem?
Fiscalização é dever de todos nós
Eu vou acompanhar de perto esse contrato, pedir relatórios e publicar as informações que chegarem até mim. E conto com você:
- Se você vir algum desses carros circulando, mande fotos, relatos e informações.
- Cobre da Câmara relatórios de quilometragem, abastecimento e rotas de cada veículo.
- Transparência não é favor, é obrigação.
O dinheiro é público. Eu vou continuar fiscalizando, cobrando respostas e trazendo os fatos aqui no Blog do Muka. Porque a cidade merece respeito – e a imprensa também precisa manter o mesmo padrão crítico que teve em 2024.