Blog do Muka • Política & Economia
Atualizado: 27/12/2025
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Entrevista à Reuters traz promessas de “governo enxuto”, redução de impostos, cortes de gastos e retomada de privatizações — com menção a Correios e, “provavelmente”, Petrobras.
Imagem: composição para compartilhamento • Blog do Muka
Em sua primeira entrevista exclusiva a um veículo internacional desde que anunciou pré-candidatura, o senador
Flávio Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito presidente em 2026, pretende conduzir um
governo mais enxuto, com foco em redução de impostos, equilíbrio fiscal e
retomada do programa de privatizações no Brasil.
As declarações, atribuídas a uma conversa com a Reuters, apontam para um movimento de aproximação do senador com
empresários, banqueiros e agentes do mercado — um recado de que a agenda econômica buscaria ser
previsível e orientada por modernização do Estado, com corte de gastos e
reorganização da máquina pública.
Correios e Petrobras entram no radar
Entre as empresas citadas, aparecem os Correios e, de forma mais cautelosa, a Petrobras.
Sobre a estatal do petróleo, a sinalização foi feita com o termo “provavelmente”, indicando que a proposta poderia
depender de desenho institucional, ambiente político e viabilidade no Congresso.
O debate volta ao centro: privatizações aumentam eficiência e competição, mas também levantam questões sobre
serviço universal, controle estratégico e impactos sociais.
Um discurso de “moderação” dentro do bolsonarismo
Na entrevista, Flávio afirmou se ver como um nome mais moderado dentro do bolsonarismo — uma tentativa de
ampliar pontes e reduzir atritos, especialmente com setores que priorizam estabilidade institucional
e segurança jurídica.
Controle de gastos e foco em equilíbrio fiscal;
Modernização do Estado e revisão de estruturas;
Abertura para maior participação do setor privado;
Mais concorrência em áreas como o setor aéreo.
Privatizações: solução ou novo conflito?
Embora privatizações agradem parte do mercado, elas também enfrentam resistência quando atingem áreas com forte capilaridade
social. No caso dos Correios, o debate envolve atendimento no interior, universalização do serviço
e impacto sobre trabalhadores. Já a Petrobras costuma concentrar discussões sobre
preços de combustíveis, soberania energética e arrecadação pública.
🧠 Análise do Blog do Muka
O movimento de falar com a imprensa internacional indica tentativa de reposicionamento: sair do “rótulo” e disputar
credibilidade como alternativa de poder. Em 2026, o desafio será transformar promessas econômicas em um projeto
viável, com equilíbrio social e sustentação política no Congresso.
No fim, a entrevista sinaliza que a disputa eleitoral já começa pelo campo da confiança: quem consegue vender a ideia de
“crescimento com responsabilidade” — e, ao mesmo tempo, responder aos impactos práticos que reformas e privatizações trazem
para o dia a dia do cidadão.
Nota editorial: Este conteúdo apresenta leitura e contextualização jornalística a partir de declarações atribuídas a entrevista.
O Blog do Muka recomenda sempre acompanhar fontes primárias, documentos oficiais e posicionamentos completos para formar opinião.
Sobre o autor
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Samuel Sleiman Mouchaileh Neto (Muka)
Administrador Social e Líder Comunitário em Ponta Grossa (PR). Atua com comunicação pública, projetos sociais
e análise de temas locais e nacionais, com foco em transparência, gestão pública e cidadania.
Gestão Pública
Política & Economia
Projetos Sociais
Durante um evento no Maranhão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma declaração que gerou ampla repercussão: “É barato cuidar do povo pobre e que ‘cuidar de rico’ é o que custa caro.” A fala ocorreu durante o anúncio de pacotes de investimento para o estado e reflete uma análise crítica sobre os custos comparativos dos programas sociais destinados aos mais pobres em contraste com os benefícios fiscais que favorecem uma parcela menor e mais rica da população.
Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto, Administrador Social, CRA/PR 33049
A Perspectiva dos Pobres:
Lula enfatiza que investir em programas sociais voltados para os mais necessitados, como o Bolsa Família, representa um custo relativamente baixo para o governo com benefícios amplos e significativos. O Bolsa Família, por exemplo, custa aproximadamente R$ 6 bilhões por ano e beneficia cerca de 21 milhões de pessoas. Esse programa tem um impacto direto na vida das famílias em situação de pobreza, ajudando-as a atender necessidades básicas como alimentação, saúde e educação, o que pode melhorar significativamente sua qualidade de vida com um investimento relativamente modesto.
Comparação de Custos:
Para ilustrar a visão de Lula, a comparação entre os custos do Bolsa Família e das desonerações fiscais é esclarecedora. Enquanto o Bolsa Família custa R$ 6 bilhões por ano e alcança milhões de brasileiros, as desonerações fiscais somam R$ 15,8 bilhões e beneficiam um número muito menor de indivíduos e empresas. As desonerações fiscais geralmente visam estimular o investimento e o crescimento econômico, mas seus benefícios diretos são percebidos principalmente pelos mais ricos, com impactos menos diretos para o restante da população.
Eficácia dos Gastos Públicos:
Programas Sociais: O Bolsa Família é um exemplo de como uma quantia relativamente pequena de recursos pode ter um impacto profundo na redução da pobreza e na melhoria do bem-estar social. O programa não só ajuda as famílias a satisfazer suas necessidades imediatas, mas também contribui para a mobilidade social e a inclusão econômica, gerando benefícios duradouros para a sociedade.
Desonerações Fiscais: Por outro lado, as desonerações fiscais representam um custo elevado para o governo e frequentemente favorecem aqueles que já possuem mais recursos. Embora possam contribuir para o crescimento econômico em alguns casos, o alto custo e a concentração dos benefícios levantam questões sobre sua eficácia e justiça social, especialmente quando comparados ao impacto mais amplo e equitativo dos programas sociais.
A Realidade dos Gastos Públicos:
A declaração de Lula traz à tona uma questão importante sobre as prioridades nos gastos públicos. Ele sugere que, ao focar em políticas que beneficiem a maioria da população, especialmente os mais necessitados, o governo pode alcançar um impacto maior e mais positivo com menos recursos. Em contraste, manter e ampliar benefícios fiscais para os ricos pode ser muito mais custoso e menos eficaz em termos de distribuição de benefícios e justiça social.
Conclusão:
Lula destaca que pequenas intervenções podem ter um grande impacto na vida dos pobres, enquanto manter os privilégios dos ricos exige investimentos substancialmente maiores. A comparação entre o Bolsa Família e as desonerações fiscais ilustra bem essa afirmação, sugerindo que investir em programas sociais é não só mais econômico, mas também mais justo e eficaz na promoção de uma sociedade equilibrada e equitativa.
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O Governo Federal fez um anúncio importante para os cidadãos de baixa renda. De acordo com o ministro de Cidades, Jader Filho, as portarias que liberam o cadastro de municípios, Estados e empresas para novas contratações do Minha Casa Minha Vida já foram assinadas.
BRASÍLIA – O Ministério da Fazenda informou nesta quinta-feira, 11, que o governo está finalizando a regulamentação de apostas esportivas no País, o chamado mercado de “bets”. O governo espera arrecadar de R$ 12 bilhões a R$ 15 bilhões com a medida.
A indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante visita à Argentina, de que o Brasil deve voltar a financiar projetos de engenharia e desenvolvimento no exterior por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) desencadeou uma série de críticas, discussões e a disseminação de informações falsas nas redes sociais nos últimos dias. Durante sua passagem por Buenos Aires, em sua primeira viagem internacional desde a posse, Lula afirmou que a intenção era “ajudar que os países vizinhos possam crescer e até vender o resultado desse crescimento para o Brasil.
Durante sua passagem por Buenos Aires, em sua primeira viagem internacional desde a posse, Lula afirmou que a intenção era “ajudar que os países vizinhos possam crescer e até vender o resultado desse crescimento para o Brasil”.
Pouco depois, ao lado de Alberto Fernández, na Casa Rosada, o presidente afirmou que irá criar condições para financiar o gasoduto Néstor Kirchner, na Argentina. A primeira fase do projeto já está concluída e o governo do país vizinho busca recursos para continuar a obra, com 500 quilômetros, ligando os campos de óleo e gás da região de Vaca Muerta até San Jerónimo, na província de Santa Fé. Há planos para que, em uma fase futura, o gasoduto se conecte com o Rio Grande do Sul, mas eles nunca saíram do papel.
Lula e o presidente da Argentina, Alberto Fernández Imagem: REUTERS.
Lançado em 1998, o programa de financiamento à exportação de bens e serviços de engenharia brasileiros do BNDES foi paralisado nos últimos anos após a revelação de casos de corrupção envolvendo empreiteiras. Nas redes sociais, os planos para reviver a plataforma geraram controvérsia, com autoridades e internautas se posicionando contra e a favor da ideia. Se de um lado alguns cidadãos relembraram os casos de corrupção e calote envolvendo os projetos financiados pelo BNDES, de outro muitos enfatizaram as benesses que esses esquemas representam para empresas brasileiras e geração de empregos no país.
“BNDES irá emprestar dinheiro pra empresas NACIONAIS fazerem obras em outros países, mas a condição é, TODAS as peças são feitas no Brasil, gerando assim, milhões de empregos para nosso povo”, escreveu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, no Twitter.
“Obras em outros países? Por que não no Brasil?”, questionou uma seguidora….
“Cuba nos deu um calote (…) e nunca pagará. A conta ficou para o pobre povo brasileiro”, comentou outro.
Afinal, quais são os principais argumentos a favor e contra empréstimos do BNDES para obras no exterior? A BBC News Brasil conversou com especialistas da área para explicar como funciona e quais são os ganhos, desvantagens e riscos desse programa.
Como funcionam os empréstimos?.
O chamado programa de financiamentos à exportação dos bens e serviços de engenharia brasileiros consiste no aporte a empresas brasileiras para executarem serviços no exterior.
Esses financiamentos são determinados pela administração direta do governo federal, que estabelece as operações, os países de destino das exportações, as principais condições contratuais do financiamento (como valor, prazo, equalização da taxa de juros e seguros) e os mitigadores de risco soberano do país que sedia a obra de engenharia.
Diferente do que dizem muitos dos conteúdos sobre o tema que circula nas redes sociais, os empréstimos são feitos em reais e no Brasil, para as companhias nacionais. Portanto, quem recebe o dinheiro é a empresa brasileira que vende para fora e não o país.
Mas os débitos são posteriormente pagos, de maneira parcelada, pelos países estrangeiros que receberam as obras. O pagamento é feito com uma taxa de juros anual definida por um acordo entre o governo federal brasileiro e a nação que receberá os empreendimentos.
Ainda faz parte do processo o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), de natureza contábil e vinculado ao Ministério da Fazenda. Ele foi criado em 1997 para servir como um seguro e, caso haja inadimplência do devedor, indeniza o financiador e busca recuperar o valor em atraso.
O esquema gerou polêmica, especialmente durante as gestões petistas, devido ao registro de calotes e de financiamentos que beneficiaram empreiteiras citadas em casos de corrupção.
A prática foi alvo de investigações da Operação Lava Jato e foi largamente criticada pela oposição e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fontes do governo e do BNDES ouvidas pela BBC News Brasil sob condição de anonimato afirmam, no entanto, que a ideia atual é de que o banco possa atuar no projeto, mas não como fazia no passado, financiando serviços de engenharia realizados por empreiteiras brasileiras.
Agora, segundo essas fontes, o banco se limitaria a financiar a compra de equipamentos e peças fabricadas no Brasil a serem usadas na obra.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o novo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em Brasília Imagem: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL.
Oficialmente, porém, o banco afirmou à BBC News Brasil que não existe demanda ou previsão de financiar projeto de serviços de infraestrutura no exterior
Oficialmente, porém, o banco afirmou à BBC News Brasil que não existe demanda ou previsão de financiar projeto de serviços de infraestrutura no exterior.
“Qualquer alteração nessa política passará necessariamente por um entendimento com o TCU, uma vez que o presidente do Tribunal, Bruno Dantas, tem reforçado o papel de acompanhamento colaborativo das políticas públicas por parte da referida instituição”, afirmou o BNDES em nota.
Como o Brasil e a população podem ganhar?
Segundo o próprio BNDES, o financiamento da exportação de bens e de serviços produzidos no Brasil tem por objetivo o aumento da competitividade das empresas brasileiras, a geração de emprego e renda no país e a entrada de divisas. A ideia defendida pelos apoiadores do projeto é que, por meio do empréstimo, as companhias locais possam expandir seu mercado, exportar suas tecnologias e se desenvolver. O mecanismo, portanto, serviria como um “empurrão” às empresas brasileiras, especialmente as mais novas e que atuam em mercados mais difíceis e competitivos. Ao mesmo tempo, defende-se que os novos empreendimentos no exterior possam beneficiar de alguma forma o país.
No caso específico do gasoduto argentino, a expectativa é que, no futuro, ele possa representar uma nova fonte de gás para o Brasil. “O programa pode beneficiar empresas brasileiras e gerar empregos porque os fornecedores seriam empresas brasileiras. Certamente também serão contratados trabalhadores na Argentina para realização desse tipo de obra, mas a fase de desenvolvimento pode ser toda realizada no Brasil”, afirma Nelson Marconi, professor de Economia e Finanças Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Depende muito da forma como for desenhada a proposta”, completa. O projeto, porém, tem despertado muitos questionamentos ambientais. Para a extração de petróleo e gás na região de Vaca Muerta é necessária uma técnica conhecida como fracking, que consiste em perfurar as rochas e introduzir água, areia e produtos químicos para aumentar a permeabilidade da pedra e fazer o produto escoar mais facilmente.
A obra de Vaca Muerta poderá marcar o retorno do BNDES a projetos internacionais Imagem: REUTERS.
A técnica, no entanto, pode gerar contaminação na água, na terra e no ar durante o processo de produção, armazenamento e transporte pela quantidade de água utilizada. Justamente por isso está proibida em muitos países.
Ao todo, segundo o próprio BNDES, foram desembolsados cerca de US$ 10,5 bilhões, no período entre 1998 e 2017, para empreendimentos de financiamento em 15 países. Para o economista e professor do Insper Sérgio Lazzarini, um exemplo bem-sucedido do esquema é o financiamento da produção de aviões da Embraer.
Os empréstimos acontecem desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) e, em novembro passado, foi aprovado um novo financiamento da ordem de R$ 2,2 bilhões para a produção e exportação de aeronaves comerciais. “O caso Embraer é bastante patente. Tratava-se de uma empresa que precisava de financiamento e atuava em um mercado difícil, mas oferecia um produto bom e de tecnologia, com possibilidade de ganho de conhecimento”, diz Lazzarini.
Quais são as desvantagens e riscos para o Brasil?
A possível entrada do BNDES em novos empreendimentos internacionais é considerada um ponto sensível para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil. Isso acontece, em parte, por conta das dívidas e calotes acumulados por alguns dos países envolvidos. Segundo o próprio banco, estão atrasados pagamentos da Venezuela (US$ 681 milhões), de Moçambique (US$ 122 milhões) e de Cuba (US$ 226 milhões), em um valor total de US$ 1,03 bilhão acumulado até setembro de 2022. Outros US$ 573 milhões estão por vencer. Nesses casos, os empréstimos foram pagos pelo FGE, que é custeado pelo Tesouro.
Para Lazzarini, o problema está justamente na avaliação de risco dos empreendimentos nesses países. O professor do Insper publicou, ao lado de outros pesquisadores, um estudo que analisou justamente o custo financeiro incorrido em algumas das operações realizadas entre 2007 e 2015. “As taxas de juros dos empréstimos estavam muito abaixo de um índice que incorporaria o risco de crédito daqueles países, até mesmo comparadas às próprias taxas de dívida daquelas nações”, afirma o economista. Lazzarini vê ainda, no caso específico do projeto do gasoduto em Vaca Muerta, um certo risco relacionado à Argentina. O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES no governo FHC, afirmou em entrevista ao portal Metrópoles que a Argentina não pode oferecer “garantias fortes” na atual conjuntura. Ele mencionou o fato de que o país vizinho passa por severa crise financeira, com inflação em torno de 95% ao ano.
Já em uma entrevista ao jornal Valor Econômico, outra ex-presidente do BNDES, a economista Maria Silvia Bastos Marques, afirmou acreditar que o Brasil já pagou “preço alto” por usar o banco para financiar obras em países vizinhos sem os devidos parâmetros e planejamento. “O BNDES foi ressarcido com dinheiro do contribuinte porque fez um empréstimo e não tinha garantia, sendo que a grande justificativa para o empréstimo ter sido feito era ter garantia, então, é um círculo vicioso”, disse a especialista, que comandou o banco entre 2016 e 2017.
A ex-presidente do BNDES Maria Silvia Bastos Marques Imagem: ELZA FIÚZA/AGÊNCIA BRASIL.
O próprio BNDES admite, em seu site, que novas regras podem ser aplicadas em novos projetos para evitar inadimplências. Mas para Nelson Marconi, da FGV, o banco “tem um corpo técnico muito competente para avaliar o risco de projetos”. Há ainda quem defenda que os investimentos podem ser destinados a projetos mais vantajosos para o Brasil. Especialmente quando se trata da extração e transporte de gás, Marconi vê outras alternativas. “Estamos reinjetando gás do pré-sal por não conseguirmos ainda transportá-lo até o continente e será necessário construir toda uma rede de infraestrutura adicional para que o gás argentino chegue, porventura, nas localidades de maior demanda no Brasil”, afirma.
O especialista afirma que ainda não há uma infraestrutura pronta no país para que o gasoduto Néstor Kirchner se conecte com o Rio Grande do Sul. “E não se sabe a que custo a Argentina venderia este gás para o Brasil”, diz. Para além das dúvidas sobre riscos e benefícios dos investimentos, outro tema que desperta críticas em relação ao programa é a falta de transparência e os casos de corrupção descobertos no passado. As suspeitas sobre obras no exterior financiadas pelo BNDES surgiram após o início das investigações da Lava Jato. Os principais alvos da operação foram algumas das maiores empreiteiras do Brasil como Odebrecht, Camargo Correa, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.
No caso da Odebrecht, por exemplo, executivos admitiram ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos que pagaram US$ 439 milhões em propina para obter obras em países como Angola, Argentina, Venezuela, Moçambique, entre outros. Em 2016, o BNDES suspendeu a liberação de recursos previstos para obras de empreiteiras investigadas na Lava Jato. Em janeiro de 2017, o banco retomou os repasses, liberando recursos para a Queiroz Galvão, que construía um corredor logístico em Honduras. Também em 2017, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou membros do PT como o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) por crimes como organização criminosa relacionada ao uso da Petrobras e do BNDES para arrecadação de propina. Em dezembro de 2019, porém, a Justiça Federal do Distrito Federal absolveu Lula e Dilma e outros integrantes do PT que haviam sido denunciados nesse caso.
Para Sérgio Lazzarini, especialmente quando se trata de projetos envolvendo grandes construtoras, o processo de indicação e escolha das empresas nem sempre foi realizado da forma mais transparente. Em 2012, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), ao qual o BNDES era subordinado, decidiu classificar os contratos de financiamento à exportação de bens e serviços de engenharia para Cuba e Angola como “secretos”, sob o argumento de que possuíam informações estratégicas. Em 2015, tal classificação foi cancelada pelo próprio MDIC. No mesmo ano, os extratos dos contratos, com as condições financeiras (valor, taxa de juros, prazo e garantias) passaram a ser disponibilizados no site do BNDES. Atualmente, todos os contratos de financiamentos à exportação de bens e serviços de engenharia estão disponíveis na íntegra no site do Banco. O tópico da transparência foi extensamente explorado por Bolsonaro e seus apoiadores durante a campanha eleitoral de 2018, que se referiam a uma “caixa-preta” do BNDES, especialmente em casos envolvendo o grupo J&F, que controla a JBS.
Durante seu governo, o ex-mandatário conferiu ao ex-presidente do BNDES indicado por ele, Gustavo Montezano, a missão de abrir a dita “caixa-preta” do banco. O objetivo era encontrar irregularidades em empréstimos destinados a países “comunistas”, como Cuba e Venezuela. Mas em 2020, após um ano e 10 meses de investigação e um gasto de R$ 48 milhões com auditoria, o BNDES divulgou um relatório que não apontou nenhuma evidência direta de corrupção em oito operações com a JBS, o grupo Bertin e a Eldorado Brasil Celulose, realizadas entre 2005 e 2018.
O Tribunal de Apelações do Distrito de Columbia, nos Estados Unidos, concedeu às vítimas de uma rede de tráfico humano o direito de processarem a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).
Imagem representativa da nova Carteira de Identidade Nacional
O governo federal anunciou nesta semana a criação da nova Carteira de Identidade Nacional, que terá como objetivo unificar os dados e as informações pessoais dos brasileiros, e o decreto passou a ser válido a partir do dia 1º de março.