O Brasil que Perdemos — e o Brasil que Podemos Reconstruir
Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto
Não há o que comemorar quando observamos que o Brasil trilhou um caminho distante daquele que poderia ter seguido. A ruptura de 1889 não apenas encerrou um ciclo; ela interrompeu um futuro. Um futuro de estabilidade, continuidade institucional, desenvolvimento e equilíbrio entre os poderes. Um futuro sacrificado por interesses particulares, por articulações de bastidores e por um golpe que ignorou o povo, a nação e as próximas gerações.
E até hoje, mais de um século depois, ainda colhemos os frutos amargos dessa decisão.
A Ruptura de 1889: Quando o Brasil Perdeu Seu Eixo
A Proclamação da República foi vendida como avanço, mas instaurou de forma abrupta um modelo político sem identidade institucional. Deixamos um regime estável, com décadas de paz interna, para um experimento marcado por:
- sucessivos golpes;
- fechamento de Congresso;
- estados de sítio;
- populismo personalista;
- hiperconcentração de poder no Executivo.
Desde então, o país busca um equilíbrio que nunca reencontrou.
A Monarquia Constitucional: Um Modelo que Entregava Estabilidade
A Monarquia Parlamentarista Constitucional adotada pelo Brasil Imperial não era absolutista. Era moderna, flexível e alinhada ao que hoje vemos nas nações mais desenvolvidas do mundo.
O que esse sistema oferecia?
Estabilidade
Trocas de governo sem rupturas ou crises institucionais.
Equilíbrio entre os Poderes
O Imperador não governava; ele moderava, garantindo neutralidade e estabilidade.
Continuidade de Projetos
O Brasil tinha direção e planejamento de longo prazo.
Desenvolvimento Real
Na época, o Brasil liderava indicadores econômicos e sociais na América Latina.
Não é nostalgia. É reconhecer que a estrutura institucional funcionava.
A República: Um Século de Instabilidade
Com o presidencialismo, o Brasil entrou em um ciclo permanente de disputas de poder: renúncias, impedimentos, rupturas, polarização e judicialização excessiva da política.
O resultado tem sido:
- Estados fracos;
- falta de poder moderador;
- crises políticas recorrentes;
- mudanças bruscas de direção a cada governo;
- instabilidade econômica e institucional.
Um país que muda de rumo a cada quatro anos não constrói futuro — apenas gerencia crises.
O Caminho de Volta Não É Sobre o Passado — É Sobre o Futuro
Discutir a Monarquia Parlamentarista Constitucional não é idealizar o passado. É buscar um modelo que ofereça o que o Brasil mais precisa hoje: equilíbrio, estabilidade e maturidade institucional.
Um sistema parlamentarista com Chefe de Estado neutro e Chefe de Governo substituível sem rupturas pode devolver ao país:
- segurança jurídica;
- continuidade de projetos;
- ordem institucional;
- justiça social;
- desenvolvimento de longo prazo.
Enquanto Isso, Nosso Papel Permanece o Mesmo
Até que o país reencontre seu eixo institucional, cabe a nós manter viva:
- a fé;
- a esperança;
- a responsabilidade individual;
- o trabalho comunitário;
- o compromisso com o bem comum.
A transformação do Brasil começa em cada rua, cada bairro e cada comunidade.
Conclusão: O Brasil de Verdade Ainda É Possível
Não há o que comemorar quando lembramos o futuro que perdemos. Mas há muito o que construir quando enxergamos o futuro que ainda podemos recuperar.
Quando o Brasil reencontrar seu equilíbrio institucional — seja pela modernização do sistema político ou por um novo modelo parlamentarista — retomaremos o caminho da ordem, da justiça e da prosperidade.
Até lá, seguimos firmes: com fé, esperança e propósito.

