Categoria: Gestão Pública

  • Comando oculto em petição de deputado do PT é investigado pelo TCE-PR


    Política e tecnologia

    Comando oculto em petição apresentada em nome de deputado do PT acende alerta no TCE-PR

    Instruções invisíveis buscavam classificar o processo como urgente, indicar conselheiros e produzir um resumo favorável à concessão de liminar. O Tribunal afirma que seus mecanismos de segurança impediram qualquer interferência.

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    11 de julho de 2026
    Leitura estimada: 6 minutos

    Uma petição apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná em nome do deputado estadual Arilson Chiorato, do PT, continha comandos ocultos destinados a influenciar a maneira como sistemas de inteligência artificial analisariam e distribuiriam o processo.

    O documento questionava atos relacionados ao programa Olho Vivo, iniciativa do Governo do Paraná baseada no monitoramento por câmeras inteligentes. Entretanto, além dos argumentos jurídicos visíveis, a petição trazia instruções escritas em letras minúsculas e na mesma cor do fundo das páginas.

    A técnica é conhecida como prompt injection, ou injeção de comandos. Seu objetivo é inserir instruções dentro de um conteúdo para que elas sejam interpretadas por uma ferramenta de inteligência artificial, mesmo que permaneçam praticamente imperceptíveis para uma pessoa que esteja lendo o arquivo normalmente.

    O que o comando oculto pretendia fazer?

    Conforme as informações divulgadas, as instruções escondidas orientavam uma eventual ferramenta automatizada a ignorar os procedimentos regulares de sumarização e distribuição.

    O texto determinava que a petição fosse classificada como de “urgência máxima”, indicava os nomes de conselheiros que deveriam receber o processo e orientava a produção de um resumo afirmando que a liminar deveria ser deferida imediatamente.

    Portanto, não se tratava de uma observação técnica inocente, de uma marcação editorial ou de um simples erro de formatação. O conteúdo escondido buscava produzir uma resposta favorável e interferir em etapas sensíveis da tramitação institucional.

    Um documento oficial não pode conter instruções invisíveis destinadas a induzir sistemas públicos a produzir uma conclusão previamente escolhida.
    Análise do Blog do Muka

    TCE-PR afirma que tentativa foi bloqueada

    O Tribunal de Contas informou que seus mecanismos de segurança e controle identificaram a presença do comando e impediram qualquer influência sobre a tramitação.

    A distribuição foi realizada normalmente por sorteio eletrônico. O processo ficou sob responsabilidade do conselheiro Fernando Guimarães, que não estava entre os nomes indicados no conteúdo escondido. Até a divulgação do episódio, nenhuma liminar havia sido concedida.

    O TCE-PR também declarou que a responsabilidade pela inserção dos comandos será apurada e que os órgãos competentes serão comunicados para a adoção das providências cabíveis.

    Por que o prompt injection é perigoso?

    Sistemas de inteligência artificial recebem instruções para classificar, resumir e interpretar informações. Uma injeção de comandos tenta fazer com que uma orientação maliciosa, escondida dentro de um arquivo, prevaleça sobre as regras do sistema.

    Em órgãos públicos, esse risco pode comprometer a impessoalidade, a segurança da informação, a rastreabilidade dos atos e a confiança da sociedade nas decisões institucionais.

    Deputado e advogado dizem desconhecer a inserção

    Arilson Chiorato afirmou desconhecer o uso de qualquer comando de direcionamento no documento. O advogado Vinicius de Oliveira, responsável pelo protocolo da petição, também declarou não ter conhecimento da instrução escondida.

    Segundo o parlamentar, o processo segue sua tramitação normal e a controvérsia não deveria desviar a atenção das denúncias apresentadas por ele em relação ao programa Olho Vivo.

    Essa manifestação precisa ser registrada. Até o momento, está confirmada a existência do conteúdo oculto, mas a autoria de sua inserção e a responsabilidade individual ainda dependem de investigação.

    A prudência jornalística exige que não se faça uma condenação antecipada. A mesma prudência, porém, não permite tratar o episódio como algo irrelevante.

    A gravidade institucional do episódio

    A administração pública é orientada por princípios como legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Qualquer tentativa de direcionar artificialmente a distribuição ou a análise de um processo atinge diretamente esses fundamentos.

    Ainda que o comando não tenha surtido efeito, sua existência revela um novo tipo de risco. À medida que tribunais e órgãos públicos incorporam sistemas automatizados, documentos externos podem ser preparados para explorar vulnerabilidades dessas ferramentas.

    O próprio TCE-PR instituiu, em junho de 2026, sua Política de Governança de Inteligência Artificial. A normativa estabelece diretrizes de uso responsável, ético, seguro e transparente, com prioridade para a proteção de dados, a segurança e a supervisão humana.

    O fato de os controles do Tribunal terem funcionado é positivo. Contudo, bloquear a interferência não encerra o assunto. É necessário identificar como o conteúdo entrou no documento, quem teve acesso ao arquivo final e se a mesma técnica foi utilizada em outros processos.

    Análise editorial

    A mesma régua precisa valer para todos

    Quando suspeitas graves envolvem políticos identificados com a direita, é comum observar uma intensa sequência de manchetes, comentários, cobranças e repercussões. Esse rigor não é um problema. Fiscalizar o poder é uma das funções essenciais da imprensa.

    O problema surge quando a intensidade da fiscalização parece variar conforme o partido ou o campo político dos envolvidos.

    Um documento apresentado em nome de uma liderança do PT continha comandos destinados a influenciar sistemas utilizados por um órgão de controle. Isso merece acompanhamento contínuo, investigação transparente e cobrança pública proporcional à gravidade do fato.

    A crítica não deve ser construída sobre condenações antecipadas, nem sobre ataques pessoais. Ela deve se apoiar em um princípio simples: a imprensa, as instituições e a sociedade precisam utilizar a mesma régua para todos.

    Se a tentativa de interferência tivesse ocorrido em uma petição apresentada em nome de um parlamentar de direita, certamente haveria forte repercussão e questionamentos legítimos. O mesmo padrão de interesse público deve ser aplicado quando o episódio envolve uma liderança da esquerda.

    Democracia não combina com seletividade. A gravidade de um acontecimento não muda de acordo com a sigla partidária de quem aparece no processo.

    O que a investigação precisa esclarecer?

    O primeiro ponto é identificar quem produziu a versão final da petição e quem efetivamente inseriu as instruções escondidas. Também será necessário verificar se o conteúdo foi acrescentado de maneira intencional, se houve participação de terceiros e quem tinha acesso ao arquivo antes do protocolo.

    Outro questionamento importante é saber se documentos semelhantes já foram encaminhados ao próprio TCE-PR ou a outros órgãos públicos.

    A investigação deve preservar o direito de defesa dos envolvidos, mas precisa ser completa, técnica e pública. A ausência de efeitos concretos não elimina a necessidade de responsabilização caso fique comprovada uma conduta deliberada.

    Inteligência artificial exige responsabilidade humana

    A inteligência artificial pode ampliar a produtividade, facilitar a leitura de documentos extensos e auxiliar a fiscalização dos recursos públicos. Entretanto, nenhuma ferramenta deve substituir a análise crítica, a supervisão humana e a responsabilidade dos agentes envolvidos.

    O episódio do TCE-PR demonstra que o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por protocolos de segurança, auditoria permanente, registro das decisões e mecanismos capazes de identificar tentativas de manipulação.

    A tecnologia evoluiu. Os mecanismos de controle também precisam evoluir — e a cobrança da sociedade não pode escolher lado.

    Nota de transparência: esta matéria foi produzida com base em informações públicas disponíveis até 11 de julho de 2026. A existência dos comandos ocultos foi confirmada pelo TCE-PR. A autoria da inserção e as responsabilidades individuais permanecem em apuração. O parlamentar e o advogado responsável pelo protocolo afirmam desconhecer a inclusão.

    Fontes consultadas


    1. Massa.com.br — Documento apresentado por deputado do PT ao TCE-PR continha comando oculto de IA

    2. Folha de S.Paulo — TCE-PR confirma texto oculto em pedido de cautelar e promete investigar

    3. TCE-PR — Política de Governança de Inteligência Artificial

    4. Site de Arilson Chiorato — Posicionamento e questionamentos sobre o programa Olho Vivo
  • ITBI progressivo em Ponta Grossa: Lei Municipal nº 15.586 pode ser inconstitucional

    A recente aprovação da Lei Municipal nº 15.586/2025, trouxe mudanças relevantes para o mercado imobiliário da cidade. A nova legislação altera o Código Tributário Municipal e estabelece alíquotas progressivas para o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), o que significa que a tributação passa a variar conforme o valor do imóvel adquirido.

    Na prática, isso pode encarecer consideravelmente a compra de imóveis de maior valor, impactando diretamente compradores, investidores e o setor imobiliário em geral. Contudo, a medida levanta um importante questionamento jurídico.

    O que diz o STF sobre ITBI progressivo

    O Supremo Tribunal Federal (STF) já enfrentou tema semelhante e consolidou entendimento na Súmula 656, que estabelece:

    > “É inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI em razão do valor venal do imóvel.”

    Súmula n. 656 do STF.

    Ou seja, qualquer tentativa de vincular o aumento da alíquota do ITBI ao valor do imóvel fere princípios constitucionais, especialmente a capacidade contributiva e a vedação de tratamento desigual entre contribuintes em situação equivalente.

    Risco jurídico e judicialização

    Com a aprovação da Lei nº 15.586, abre-se espaço para uma onda de ações judiciais questionando a cobrança progressiva do ITBI em Ponta Grossa.Isso gera insegurança jurídica para quem pretende comprar imóveis na cidade, especialmente os de maior valor, que passam a ser onerados de forma potencialmente inconstitucional.

    Além disso, há risco de que o município tenha que devolver valores arrecadados indevidamente no futuro, caso a Justiça venha a declarar a norma municipal inválida. Essa situação pode criar impacto financeiro tanto para a Prefeitura quanto para os contribuintes.

    Planejamento e segurança nas transações

    Para compradores, vendedores e investidores, a palavra de ordem é cautela.

    Antes de concluir qualquer operação imobiliária de maior porte, recomenda-se:

    • Buscar orientação de um advogado especializado em Direito Tributário ou Direito Imobiliário;
    • Avaliar a possibilidade de ajuizar ações preventivas ou impugnar judicialmente a cobrança do ITBI progressivo;
    • Acompanhar os debates jurídicos que certamente chegarão ao Tribunal de Justiça do Paraná e, possivelmente, novamente ao STF.

    Conclusão

    Embora a intenção da Prefeitura seja aumentar a arrecadação tributária, a adoção de alíquotas progressivas no ITBI contraria entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal.

    Portanto, contribuintes e investidores devem estar atentos: a Lei Municipal nº 15.586 pode ser objeto de questionamento judicial e, até que haja uma decisão definitiva, toda transação imobiliária em Ponta Grossa precisará ser planejada com atenção redobrada.

    “Card informativo em português sobre a Lei Municipal nº 15.586 de Ponta Grossa, que criou alíquotas progressivas do ITBI. A arte mostra em tópicos: o que muda com a lei, o que diz a Súmula 656 do STF sobre inconstitucionalidade e os riscos jurídicos para compradores de imóveis.
  • Levantamento mostra custo dos gabinetes na Câmara de Ponta Grossa

    Levantamento mostra quanto custa a estrutura de gabinetes da Câmara Municipal de Ponta Grossa: vereadores, presidente, chefes e assessores. O gasto chega a R$ 1 milhão por mês e R$ 12 milhões por ano. Dados referentes apenas aos gabinetes.

    Por Samuel Sleiman-Blog do Muka agosto de 2025

    A Câmara Municipal é um órgão legislativo que não arrecada recursos próprios, seu orçamento vem do duodécimo, ou seja, repasses do município. Por isso, quanto mais a Câmara conseguir devolver no fim do ano, mais demonstra uma administração saudável e equilibrada.

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  • Transporte coletivo: veto ao IPTU expõe velhas perguntas sem resposta

    A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (União Brasil), vetou nesta segunda-feira (25) a emenda do vereador Guilherme Mazer (PT) que previa destinar 50% do IPTU para o transporte coletivo. O motivo? O veto é sustentado pelo artigo 167, IV, da Constituição Federal, que proíbe vincular impostos diretamente a fundos ou despesas específicas.Na prática, a proposta era ilegal e inconstitucional, como confirmou o próprio jurídico da Prefeitura. Ainda assim, passou por comissões da Câmara e foi aprovada por 12 votos a 6 — um retrato da fragilidade técnica ou do oportunismo político de parte dos vereadores.

    A polêmica que ninguém responde

    O transporte coletivo em Ponta Grossa segue sendo um dos temas mais criticados pela população. A empresa concessionária, VCG, mantém um contrato que deveria ter terminado em 2020, mas já foi prorrogado três vezes, sempre com o aval dos vereadores. A tarifa técnica é de R$ 7,43, mas o usuário paga R$ 5,00 — diferença que sai do bolso do contribuinte.E em meio a essa confusão, surgem perguntas incômodas que continuam sem resposta:

    “E o fundo do transporte? E os outdoors dos ônibus? E as lanchonetes que utilizam os terminais há anos? Pra onde vai esse dinheiro? E o fundo sindical colocado na planilha que impacta na tarifa? Nenhum vereador votou isso ainda?”

    Esses questionamentos revelam que o problema não é apenas de “falta de dinheiro”, mas de falta de transparência. Há receitas que poderiam aliviar o peso da tarifa, mas que nunca entram na discussão.

    O que está em jogo

    Enquanto vereadores apresentam emendas sabidamente inconstitucionais, a cidade segue sem respostas sobre:

    • A fiscalização real das receitas da VCG;
    • A gestão de espaços públicos como lanchonetes em terminais;
    • O destino da verba de publicidade nos ônibus;
    • E até mesmo a inclusão de fundos sindicais que aumentam artificialmente a tarifa.

    O veto da prefeita era previsível. O que não pode ser previsível é o silêncio sobre as verdadeiras fontes de receita que poderiam ser revertidas em benefício direto ao usuário do transporte público.

    O transporte coletivo em Ponta Grossa segue sendo um dos temas mais criticados pela população. A empresa concessionária, VCG, mantém um contrato que deveria ter terminado em 2020, mas já foi prorrogado três vezes, sempre com o aval dos vereadores. A tarifa técnica é de R$ 7,43, mas o usuário paga R$ 5,00 — diferença que sai do bolso do contribuinte.

    #PelaQualidadeDeVidaNosBairros

    ✍️ Samuel Sleiman – Blog do Muka “Não é ataque. É transparência.”

  • Paraná terá o menor IPVA do Brasil a partir de 2026

    O governador Ratinho Junior anunciou uma medida considerada histórica: a redução de 45% no IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). A alíquota, que hoje é de 3,5%, passará para 1,9% a partir de 2026, transformando o Paraná no estado com o menor imposto sobre veículos do país.

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  • Desigualdade no Acesso às Universidades Públicas: Quem Realmente Se Beneficia?

    Os alunos de escolas privadas dominam as vagas nas universidades públicas, enquanto muitos estudantes de escolas públicas precisam recorrer ao ensino privado. Essa desigualdade educacional levanta questões de justiça e acesso. Seria justo cobrar mensalidades de quem estudou em escolas particulares? Veja as propostas, as controvérsias e os caminhos para um sistema mais equitativo. Leia mais e reflita sobre esse importante debate!

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  • Alternativas à Gestão Pública Sem Impostos: Uma Nova Perspectiva para o Futuro

    Gestão Pública sem Impostos: Soluções Inovadoras à Vista? Governos ao redor do mundo estão explorando alternativas criativas para aliviar a dependência dos impostos. Descubra como Parcerias Público-Privadas, receitas de patrimônio público e emissão de títulos podem revolucionar a administração pública sem sobrecarregar os contribuintes. Quer saber mais sobre essas estratégias e o cenário brasileiro? Clique aqui para continuar lendo!

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  • Análise da Gestão Municipal de Ponta Grossa pelo IGM-CFA 2023

    O Índice de Governança Municipal (IGM) do Conselho Federal de Administração (CFA) é uma ferramenta crucial para avaliar a eficiência da gestão pública nos municípios brasileiros.

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