Uma declaração do vereador Ricardo Zampieri (PL) trouxe novamente à tona um tema sensível — e grave — dentro da Câmara Municipal de Ponta Grossa: a suspeita de prática de “rachadinha” em gabinetes parlamentares.
Em entrevista ao Portal Mareli Martins, Zampieri afirmou que esse tipo de crime existe na Câmara, embora tenha evitado citar nomes. Segundo ele, seus assessores não participam da prática, mas outros gabinetes sim.
“Meus funcionários não têm rachadinha, tem uns que têm lá”
Questionado sobre quem seriam os envolvidos, o vereador recuou e disse não poder falar por falta de provas:
“Se eu pudesse provar, eu falava aqui agora”
A declaração não é pequena. Quando um vereador afirma publicamente que há prática criminosa dentro do Legislativo, o assunto deixa de ser retórica política e passa a exigir apuração institucional.
O Blog do Muka já questionou, em outros momentos, o contrato de locação de veículos da Câmara. No primeiro momento, a crítica era legítima: o custo elevado naturalmente gera desconfiança sobre o uso do dinheiro público.
Com o tempo e com uma análise mais prática da realidade, é preciso reconhecer que o veículo oficial, quando bem utilizado e fiscalizado, é uma ferramenta importante para o trabalho parlamentar. O vereador precisa ir aos bairros, atender moradores, acompanhar demandas e estar presente onde a população está.
Imposto é exatamente para isso: dar condições ao poder público de servir a população. Nesse ponto, o atual presidente da Câmara acertou ao estruturar a frota, desde que haja controle, rastreamento e uso exclusivo para o interesse público.
O problema central, portanto, não está no carro. Está na denúncia muito mais séria feita pelo próprio vereador.
Falar em “rachadinha” não é discutir gasto público, é apontar possível crime. Se há indícios, a Câmara precisa se manifestar. Se há suspeita, o Ministério Público precisa ser provocado.
O que não pode acontecer é esse tipo de afirmação ficar solta, jogada ao vento, sem investigação.
Combater desperdício é importante.
Combater desvio e corrupção é obrigação.
Samuel Sleiman Mouchaileh Neto é administrador, gestor ambiental, especialista em gestão pública, especialista em gestão estratégica de pessoas e inovação, e atua com recursos comunitários e desenvolvimento local em Ponta Grossa.
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