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  • Moro lidera, Sandro Alex reúne alianças: por que a disputa pelo Governo do Paraná ainda está aberta

    Moro lidera, Sandro Alex reúne alianças: por que a disputa pelo Governo do Paraná ainda está aberta

    As pesquisas colocam Sergio Moro na liderança, enquanto Sandro Alex concentra o apoio de Ratinho Junior e de uma ampla estrutura partidária. Os números favorecem Moro, mas a campanha governista ainda possui instrumentos para tentar modificar o cenário.

    Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto — Muka | Atualizado em 26 de julho de 2026

    Foto oficial do senador Sergio Moro

    Sergio Moro
    Foto oficial do deputado federal Sandro Alex

    Sandro Alex

    Sergio Moro e Sandro Alex estão entre os principais candidatos ao Governo do Paraná. Fotos: Senado Federal e Câmara dos Deputados.

    A corrida pelo Governo do Paraná entrou oficialmente em uma nova fase. No dia 25 de julho, o PSD realizou sua convenção estadual e confirmou o deputado federal Sandro Alex como candidato à sucessão do governador Ratinho Junior.

    A oficialização ocorreu em um momento no qual o senador Sergio Moro, candidato do PL, mantém uma liderança expressiva nas pesquisas de intenção de voto. Ao mesmo tempo, Sandro Alex passa a contar com uma das maiores estruturas partidárias da disputa estadual.

    Esse contraste ajuda a explicar o atual cenário eleitoral: Moro começa com mais votos, enquanto Sandro começa com mais estrutura política.

    A vantagem de Moro é real e precisa ser reconhecida. No entanto, ainda existem fatores capazes de modificar o comportamento do eleitorado, como o início da propaganda eleitoral, os debates, a exposição dos candidatos, a avaliação do governo estadual, as alianças municipais e a capacidade de transferência de votos de Ratinho Junior.

    A disputa está aberta, mas não está equilibrada neste momento. Moro é o favorito nos números; Sandro Alex tentará reduzir a diferença por meio da força política do grupo governista.

    Moro possui uma liderança ampla nas pesquisas

    A pesquisa mais recente do Instituto Neokemp, realizada nos dias 20 e 21 de julho de 2026, colocou Sergio Moro na liderança com 40,7% das intenções de voto.

    Candidato Partido Intenção de voto
    Sergio Moro PL 40,7%
    Requião Filho PDT 18,6%
    Sandro Alex PSD 10,6%
    Rafael Greca MDB 9,6%
    Luiz França Missão 3,1%
    Tony Garcia DC 1,9%

    No cenário sem Rafael Greca, Moro alcança 46,7%, seguido por Requião Filho, com 22%, e Sandro Alex, com 12,5%.

    O levantamento ouviu 1.008 eleitores, possui margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-02941/2026.

    Esses números mostram que Moro não possui apenas uma vantagem pequena ou circunstancial. Ele inicia a campanha com reconhecimento estadual e nacional, eleitorado próprio e uma posição consolidada no primeiro lugar.

    Por isso, a análise mais objetiva é reconhecer que Sergio Moro é hoje o favorito na disputa pelo Palácio Iguaçu.

    Requião Filho também precisa ser considerado

    Embora o debate político esteja cada vez mais concentrado entre Moro e o candidato indicado por Ratinho Junior, os levantamentos mais recentes colocam Requião Filho na segunda posição.

    Na Neokemp, o deputado estadual aparece com 18,6%, quase oito pontos à frente de Sandro Alex. Isso significa que o representante do PDT não pode ser ignorado na análise, especialmente diante da possibilidade de segundo turno.

    Requião Filho possui um sobrenome conhecido no estado, uma base política própria e espaço para consolidar o eleitorado de oposição que não se identifica com Moro ou com o grupo governista.

    Sandro Alex foi oficializado como candidato da continuidade

    Sandro Alex durante a convenção do PSD no Paraná
    Convenção estadual do PSD oficializou Sandro Alex como candidato ao Governo do Paraná. Foto: Divulgação, reprodução Band Paraná.

    A convenção do PSD realizada em Curitiba reuniu o governador Ratinho Junior, o vice-governador Darci Piana, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, lideranças políticas, parlamentares e prefeitos.

    Durante o evento, Sandro Alex apresentou sua candidatura como uma proposta de continuidade da administração estadual. Ratinho Junior também o apontou publicamente como o representante de seu grupo político para a sucessão.

    Essa vinculação será fundamental para a estratégia governista. Sandro ainda é menos conhecido que Moro em diversas regiões do Paraná e dependerá da presença do governador para ampliar sua identificação junto ao eleitorado.

    Um levantamento do Instituto IRG, realizado em junho, demonstrou o potencial dessa associação. Quando os entrevistados eram informados de que Sandro Alex tinha o apoio de Ratinho Junior, o candidato alcançava 27,5%, contra 39,1% de Moro.

    Em uma simulação de segundo turno com os padrinhos políticos apresentados, Moro aparecia com 42,5% e Sandro Alex com 38,5%, resultado considerado tecnicamente mais próximo dentro da margem de erro.

    Esse cenário não pode ser comparado diretamente com a Neokemp, pois os institutos utilizaram perguntas e metodologias diferentes. Ainda assim, ele indica que o apoio explícito de Ratinho Junior pode aumentar a competitividade de Sandro.

    A ampla coligação é a principal força de Sandro Alex

    Ratinho Junior e Sandro Alex durante evento político no Paraná
    Sandro Alex contará com o apoio direto do governador Ratinho Junior durante a campanha. Foto: Divulgação/PSD-PR.

    Além do apoio do governador, a candidatura de Sandro Alex reúne uma ampla composição partidária.

    Até a convenção do PSD, a aliança incluía o Republicanos, o Avante, a Federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — e a Federação PSDB-Cidadania.

    Na prática, isso significa uma rede formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, dirigentes partidários e candidaturas proporcionais atuando em diferentes regiões.

    A capilaridade municipal pode ajudar Sandro a tornar seu nome mais conhecido e a aproximar a campanha dos eleitores que ainda não acompanham a sucessão estadual.

    No entanto, estrutura partidária não se transforma automaticamente em voto. Prefeitos e vereadores podem ajudar na mobilização, mas o eleitor mantém autonomia para avaliar os candidatos e votar de maneira diferente das orientações de suas lideranças locais.

    O principal desafio da campanha governista será converter apoio de partidos e lideranças em intenção efetiva de voto.

    A continuidade traz vantagens, mas também cobra respostas

    Ser apresentado como candidato da continuidade permite a Sandro Alex reivindicar os resultados, programas, obras e investimentos realizados durante os dois mandatos de Ratinho Junior.

    Entretanto, a continuidade também implica assumir o desgaste e as críticas dirigidas à atual administração.

    Durante a campanha, deverão aparecer questionamentos sobre a qualidade e o atendimento de serviços públicos, a atuação de empresas estaduais, o modelo de concessões rodoviárias, os pedágios, as condições das estradas, a política educacional e a proteção dos dados utilizados nos sistemas digitais do Estado.

    Entre esses temas está a Celepar, responsável por sistemas e soluções tecnológicas utilizados pela administração estadual. Em uma sociedade cada vez mais digitalizada, o tratamento de informações como CPF, documentos, e-mails, fotografias e dados de acesso exige transparência, segurança e mecanismos permanentes de fiscalização.

    Essas discussões não devem ser tratadas apenas como ataques eleitorais. Elas fazem parte do direito da população de avaliar a qualidade dos serviços e cobrar compromissos concretos dos candidatos.

    Sandro Alex precisará explicar quais políticas pretende manter, quais pretende aperfeiçoar e como sua eventual administração responderá aos problemas percebidos pela população.

    Moro lidera, mas também possui vulnerabilidades

    A liderança nas pesquisas coloca Moro em posição privilegiada, mas também faz com que ele se torne o principal alvo dos adversários.

    Na pesquisa Neokemp, 27,6% dos entrevistados disseram que não votariam nele de maneira alguma. Sandro Alex apresentou rejeição de 5,3%, enquanto Requião Filho registrou 38,9%.

    A comparação exige cautela. Moro e Requião são mais conhecidos, o que naturalmente produz opiniões positivas e negativas mais consolidadas. Sandro ainda pode ter sua rejeição alterada conforme aumentar sua exposição.

    Moro também precisará demonstrar que sua experiência política e jurídica pode ser convertida em capacidade administrativa para comandar um estado com 399 municípios e demandas distintas nas áreas de saúde, educação, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e proteção social.

    Além disso, enfrentará uma coalizão que possui o governo estadual, uma extensa base municipal e recursos políticos para questionar sua trajetória e suas propostas.

    A disputa está aberta, mas Moro larga na frente

    A análise equilibrada do atual momento exige reconhecer duas realidades simultâneas.

    A primeira é que Sergio Moro possui uma liderança ampla e consistente. Os principais levantamentos o colocam em primeiro lugar e, neste momento, ele é o favorito.

    A segunda é que Sandro Alex possui instrumentos para crescer. Ele conta com o apoio de Ratinho Junior, uma grande aliança partidária, presença municipal e uma campanha voltada a associar seu nome à atual administração.

    Também não se pode desconsiderar Requião Filho, que aparece na segunda colocação da pesquisa mais recente e poderá disputar uma vaga no segundo turno.

    Moro começa com os votos.
    Sandro Alex começa com a estrutura.
    Requião Filho busca consolidar a segunda posição.

    As pesquisas são fotografias do momento, não sentenças definitivas sobre o resultado. A campanha eleitoral, os debates, as alianças, os acontecimentos políticos e a avaliação da população ainda poderão alterar o cenário.

    Portanto, a disputa pelo Governo do Paraná continua aberta. Isso não significa que todos os candidatos estejam atualmente em condições iguais, mas que ainda há tempo e espaço político para mudanças.

    A decisão final não pertence aos partidos, às lideranças, às estruturas eleitorais ou aos institutos de pesquisa.

    A decisão pertence ao eleitor paranaense.


    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto — Muka

    Administrador Social | Liderança Comunitária

    Blog do Muka

    Fontes consultadas

    Nota editorial: pesquisas eleitorais representam o cenário existente no período em que as entrevistas foram realizadas. Resultados de institutos diferentes não devem ser comparados isoladamente sem considerar metodologia, amostra, margem de erro, período de campo e formulação das perguntas.

  • TSE e defensorias públicas firmam parceria para garantir assistência jurídica nas Eleições

    TSE e defensorias públicas firmam parceria para garantir assistência jurídica nas Eleições

    Acordo busca ampliar o acesso à Justiça, proteger pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e enfrentar casos de violência política, assédio eleitoral e fraude à cota de gênero.

    Arte da Justiça Eleitoral informando sobre parceria com as defensorias públicas para garantir assistência jurídica durante o período eleitoral.
    Parceria pretende ampliar o acesso à assistência jurídica durante o período eleitoral. Imagem: Justiça Eleitoral.

    O Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, e as defensorias públicas estabeleceram uma parceria para ampliar o acesso à assistência jurídica durante as Eleições 2026. A iniciativa tem como foco candidatas, candidatos, eleitoras e eleitores que estejam em situação de vulnerabilidade econômica e não possuam condições de contratar serviços advocatícios sem comprometer o próprio sustento ou o de suas famílias.

    O acordo de cooperação técnica busca aproximar a Justiça Eleitoral das defensorias públicas, criando mecanismos de orientação, encaminhamento e atendimento jurídico para pessoas que necessitem de proteção no exercício de seus direitos políticos e eleitorais.

    O objetivo central da parceria é assegurar que a falta de recursos financeiros não impeça o acesso à Justiça nem deixe cidadãs e cidadãos desprotegidos durante o processo eleitoral.

    Atendimento voltado às pessoas em vulnerabilidade econômica

    A cooperação tem como público prioritário pessoas que não conseguem arcar com os custos de um advogado sem prejudicar as despesas essenciais de sua residência e de seus familiares.

    A assistência jurídica deverá ser integral e gratuita, respeitando os critérios adotados pelas defensorias públicas. A necessidade de atendimento será analisada e comprovada conforme os procedimentos estabelecidos pelas instituições responsáveis.

    Arte informando que o acordo entre o TSE e as defensorias públicas é voltado a candidatas, candidatos, eleitoras e eleitores em situação de vulnerabilidade econômica.
    Pessoas em situação de vulnerabilidade econômica estão entre o público prioritário. Imagem: Justiça Eleitoral.

    Situações que terão atuação prioritária

    O acordo prevê atuação prioritária das defensorias públicas em situações que possam comprometer a liberdade política, a igualdade entre candidaturas e o direito de participação no processo democrático.

    • Fraude à cota de gênero;
    • Violência política;
    • Assédio político;
    • Assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

    Arte da Justiça Eleitoral listando casos prioritários: fraude à cota de gênero, violência política, assédio político e assédio eleitoral no trabalho.
    A parceria prevê atenção prioritária a violações de direitos políticos e eleitorais. Imagem: Justiça Eleitoral.

    Combate à fraude na cota de gênero

    Um dos pontos destacados pela parceria é o enfrentamento à fraude à cota de gênero. A legislação eleitoral estabelece um percentual mínimo de candidaturas de cada gênero, medida criada para ampliar a participação feminina e promover maior igualdade na disputa política.

    A fraude pode ocorrer quando uma candidatura é apresentada apenas formalmente para cumprir a exigência legal, sem que exista participação efetiva na campanha. Situações dessa natureza prejudicam a representatividade, comprometem a legitimidade do processo eleitoral e enfraquecem políticas destinadas à inclusão das mulheres na vida pública.

    Proteção contra violência e assédio político

    A violência política pode se manifestar por meio de ameaças, perseguições, intimidações, ataques, constrangimentos, discriminações ou tentativas de impedir que uma pessoa exerça livremente seus direitos políticos.

    Essas práticas podem atingir candidatas, candidatos, ocupantes de cargos públicos, lideranças comunitárias, militantes, apoiadores e qualquer cidadão que participe do debate político ou manifeste determinada posição.

    O fortalecimento da atuação das defensorias públicas permite que pessoas sem condições financeiras tenham orientação jurídica e possam buscar proteção diante de violações, perseguições ou tentativas de silenciamento.

    Assédio eleitoral no ambiente de trabalho

    O acordo também inclui a atuação em casos de assédio eleitoral no trabalho. Essa prática pode ocorrer quando empregados são pressionados, ameaçados, constrangidos ou induzidos por empregadores ou superiores hierárquicos a apoiar, votar ou deixar de votar em determinada candidatura.

    A liberdade de escolha é um direito fundamental. Nenhum trabalhador deve sofrer ameaças de demissão, perda de benefícios, redução de oportunidades ou qualquer outra forma de retaliação em razão de suas preferências políticas e eleitorais.

    O voto é livre e secreto. Pressionar ou constranger trabalhadores para influenciar sua decisão eleitoral pode representar grave violação de direitos.

    Campanhas, cursos e ações educativas

    A cooperação não ficará restrita ao atendimento de conflitos já existentes. O acordo também prevê campanhas informativas, cursos, capacitações e ações educativas destinadas à promoção da cidadania, da democracia e dos direitos eleitorais.

    As atividades deverão contribuir para que candidatas, candidatos, eleitoras e eleitores conheçam seus direitos, identifiquem situações de violência ou assédio e saibam quais instituições procurar quando necessitarem de orientação ou assistência jurídica.

    A informação é uma ferramenta essencial de prevenção. Quanto maior for o conhecimento da população sobre as regras eleitorais e os mecanismos de proteção, menores serão as possibilidades de intimidação, abuso de poder e violação da liberdade política.

    Assistência integral e gratuita

    De acordo com as informações divulgadas pela Justiça Eleitoral, os atendimentos serão realizados mediante comprovação da necessidade de atuação das defensorias públicas.

    A análise deverá considerar a realidade econômica de cada pessoa e sua impossibilidade de pagar pelos serviços de um advogado sem comprometer despesas necessárias à própria sobrevivência e à manutenção familiar.

    Arte informando que o acordo assegura assistência integral e gratuita às pessoas que não podem pagar os custos advocatícios sem prejudicar o próprio sustento.
    O atendimento dependerá da comprovação da necessidade de assistência jurídica gratuita. Imagem: Justiça Eleitoral.

    Acesso à Justiça fortalece a democracia

    A efetividade da democracia não depende somente da realização das eleições. Ela também exige que todas as pessoas tenham condições de exercer seus direitos, denunciar abusos e buscar proteção quando forem vítimas de violência, perseguição ou constrangimento.

    Nesse sentido, a aproximação entre a Justiça Eleitoral e as defensorias públicas pode contribuir para reduzir desigualdades e garantir que pessoas em situação de vulnerabilidade não permaneçam desassistidas durante o processo eleitoral.

    A medida também reforça a importância de eleições livres, igualitárias e protegidas contra qualquer tentativa de interferência indevida na vontade de eleitoras e eleitores.

    Saiba mais

    A publicação completa e as informações oficiais sobre o acordo podem ser consultadas no portal do Tribunal Superior Eleitoral.


    Acessar a publicação oficial do TSE

    Descrição acessível das imagens

    As imagens apresentam peças institucionais da Justiça Eleitoral sobre o acordo firmado com as defensorias públicas. As artes utilizam fundo claro, elementos nas cores amarela, verde e azul e textos explicando o público atendido, as situações prioritárias e o direito à assistência jurídica integral e gratuita.

    Fonte

    Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Presidente do TSE assina pacto com defensorias públicas para ampliar o acesso à Justiça.

    Disponível em:

    Portal do Tribunal Superior Eleitoral
    .

    Imagens: Justiça Eleitoral/TSE. Texto elaborado e adaptado para fins jornalísticos pelo Blog do Muka.

    Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto, conhecido como Muka, é administrador, gestor ambiental, administrador social e liderança comunitária em Ponta Grossa, no Paraná.

    Administrador registrado no CRA-PR sob o nº 33.049 e gestor ambiental registrado no CREA-PR sob o nº PR-230587/D, atua nas áreas de gestão pública, inovação, projetos sociais, cidadania, segurança alimentar e desenvolvimento comunitário.

    É presidente do Instituto União Colônia Dona Luíza e responsável pelo Blog do Muka, espaço dedicado à informação, à fiscalização da gestão pública, à defesa de direitos e à valorização das iniciativas sociais de Ponta Grossa e dos Campos Gerais.

    Blog do Muka

    Informação, cidadania, responsabilidade social e defesa de direitos.

  • Quando o uniforme vira alvo de preconceito: a misoginia contra mulheres bombeiras e o desafio do respeito

    Quando o uniforme vira alvo de preconceito: a misoginia contra mulheres bombeiras e o desafio do respeito

    Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto | Blog do Muka

    A presença feminina em corporações operacionais segue despertando admiração, mas também expõe o preconceito ainda presente em parte da sociedade.

    O que deveria ser reconhecimento virou ataque

    Nos últimos dias, uma discussão nas redes sociais trouxe à tona algo incômodo, mas infelizmente ainda muito presente: a misoginia disfarçada de opinião.

    O que deveria ser visto como demonstração de preparo, presença institucional e competência profissional acabou recebendo comentários que tentavam diminuir e ridicularizar mulheres que vestem a farda e exercem uma função essencial para a sociedade.

    O uniforme representa preparo, disciplina, responsabilidade e serviço à população — valores que independem de gênero.

    O mérito não tem gênero

    Ser bombeiro exige disciplina, preparo técnico, resistência emocional e compromisso com a vida.

    Mulheres que ingressam em corporações militares ou forças de segurança chegam ali porque estudaram, se prepararam e passaram por processos seletivos rigorosos.

    Questionar sua presença apenas por serem mulheres não é crítica legítima. É preconceito.

    Mulheres conquistam cada vez mais espaço em áreas operacionais da segurança pública.

    O problema não é a farda. É a mentalidade.

    Há algo revelador quando mulheres uniformizadas ainda são tratadas como se precisassem justificar sua presença.

    Isso mostra que parte da sociedade ainda insiste em enxergar a mulher primeiro pelo gênero e só depois pela competência.

    Profissionais da segurança pública devem ser avaliadas pela capacidade e pelo compromisso com o serviço à população.

    Uma reflexão necessária

    O debate não é apenas sobre bombeiras. É sobre respeito.

    É sobre o direito de mulheres exercerem sua profissão sem serem diminuídas por isso.

    Quando a competência de uma mulher incomoda mais do que inspira, o problema não está nela.

    Conclusão

    O Brasil precisa avançar não apenas em leis e instituições, mas também na cultura social.

    O uniforme de um bombeiro representa serviço à vida. E isso não tem gênero.


    Quem sou eu?

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto

    Administrador (CRA-PR nº 33.049) e Gestor Ambiental (CREA-PR nº PR-230587/D). Líder comunitário em Ponta Grossa (PR), autor do livro Liderança Comunitária Descomplicada e articulador de iniciativas voltadas ao desenvolvimento social e cidadania.

  • Estupro coletivo reacende debate sobre violência, cultura social e responsabilidade coletiva

    Estupro coletivo reacende debate sobre violência, cultura social e responsabilidade coletiva

    SOCIEDADE | CONSCIÊNCIA SOCIAL

    Casos de violência extrema voltam a provocar indignação no país e levantam uma reflexão profunda sobre valores, respeito e o papel da sociedade na prevenção da barbárie.


    Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto • Blog do Muka

    Caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro provocou forte repercussão nacional e reacendeu debate sobre violência contra mulheres.

    Um crime que ultrapassa o noticiário policial

    O recente caso de estupro coletivo que ganhou repercussão nacional reacendeu um debate urgente no Brasil: a violência contra mulheres e adolescentes e a responsabilidade social diante desse problema.

    Mais do que um episódio isolado, crimes dessa natureza expõem um cenário preocupante que envolve fatores culturais, sociais e educacionais que precisam ser enfrentados de forma direta.

    A brutalidade desses atos gera revolta imediata na sociedade, mas também exige reflexão profunda sobre os valores que sustentam a convivência humana.

    Quando a violência deixa de chocar

    Especialistas em segurança pública apontam que crimes extremos geralmente não surgem de forma repentina. Eles costumam ser precedidos por ambientes onde o desrespeito é tolerado, a dignidade humana é relativizada e a violência simbólica passa a ser normalizada.

    Quando comportamentos abusivos são ignorados, quando a objetificação da mulher é tratada como entretenimento e quando a humilhação vira piada, abre-se espaço para que limites morais sejam progressivamente ultrapassados.

    Suspeito chega à delegacia durante investigação do caso que mobilizou autoridades e gerou indignação pública.

    O que diz a legislação brasileira

    No Brasil, o crime de estupro está previsto no Artigo 213 do Código Penal, que trata da violência sexual contra a dignidade da pessoa.

    Quando o crime ocorre de forma coletiva ou envolve circunstâncias agravantes, as penas podem ser ainda mais severas.

    No entanto, especialistas alertam que a legislação penal, por si só, não resolve o problema estrutural da violência.

    A punição é necessária, mas a prevenção exige mudanças mais profundas na cultura social.

    Uma reflexão necessária

    Casos de violência extrema provocam indignação, revolta e tristeza.

    Mas eles também precisam servir como um alerta social.

    Uma sociedade saudável não normaliza o desrespeito. Ela protege os mais vulneráveis, valoriza a dignidade humana e enfrenta com coragem qualquer forma de violência.

    Quando o respeito deixa de ser princípio, a barbárie encontra espaço.

    Conclusão

    O enfrentamento da violência contra mulheres exige muito mais do que indignação momentânea.

    Exige compromisso com educação, respeito, responsabilidade e consciência social.

    O silêncio diante da violência também contribui para que ela continue existindo.

    Que casos como este sirvam não apenas como notícia passageira, mas como um chamado coletivo para reconstruir valores fundamentais da convivência humana.


    Quem sou eu

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto

    Administrador (CRA-PR nº 33.049) e Gestor Ambiental (CREA-PR nº PR-230587/D). Líder comunitário em Ponta Grossa (PR), atuando em iniciativas de desenvolvimento social, gestão pública e inovação comunitária.

    Autor do livro “Liderança Comunitária Descomplicada” e pesquisador nas áreas de gestão pública, participação social e desenvolvimento local.

    Palavras-chave: violência contra mulheres, estupro coletivo, segurança pública, consciência social, dignidade humana.

    Blog do Muka • Ponta Grossa • Paraná

  • Guarda Municipal armada e segurança privada: uma análise técnica sobre a coerência da política de segurança em Ponta Grossa

    Guarda Municipal armada e segurança privada: uma análise técnica sobre a coerência da política de segurança em Ponta Grossa

    A presente análise foi elaborada a partir de informações solicitadas pelo Blog do Muka junto ao Município de Ponta Grossa, referentes às contratações de serviços de segurança privada realizadas por diferentes secretarias municipais.

    Com base no material oficial disponibilizado pela administração pública — incluindo processos administrativos, atas de registro de preços, contratos e dados públicos — foi realizada uma análise técnica minuciosa, orientada por critérios de gestão pública, planejamento administrativo e eficiência no uso do dinheiro público.

    A partir desse conjunto de informações, tornou-se possível identificar padrões de contratação, volumes financeiros envolvidos e a forma como a segurança privada vem sendo utilizada pelo Município, conduzindo às conclusões apresentadas nesta matéria.


    1. A contratação de segurança privada

    O Município de Ponta Grossa realizou o Pregão Eletrônico nº 136/2025, por meio do Sistema de Registro de Preços, que resultou na Ata de Registro de Preços nº 087/2026, com valor global estimado em R$ 2.103.544,00, destinada à contratação de serviços de segurança privada patrimonial e de apoio a eventos.

    Do ponto de vista formal, o procedimento licitatório é regular, público e compatível com a legislação vigente. Não se questiona, portanto, a legalidade da contratação.

    O foco desta análise é a coerência do planejamento administrativo e a racionalidade no uso de recursos públicos, especialmente diante da existência de uma estrutura municipal de segurança armada e em expansão.


    2. Contratações de segurança privada por secretaria

    A documentação analisada demonstra que a contratação de segurança privada não está concentrada em uma única secretaria, mas distribuída entre diferentes centros de custo da administração municipal, todos vinculados à mesma Ata de Registro de Preços.

    2.2 Secretarias participantes e valores

    Secretaria / Centro de Custo Horas previstas Valor estimado
    Secretaria Municipal de Turismo 50 horas R$ 1.450,00
    Secretaria Municipal de Cultura 50 horas R$ 1.450,00
    Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SMAPA) 500 horas R$ 14.500,00
    Reserva Administrativa (Administração Geral) 21.926 horas R$ 635.854,00

    O quantitativo global da Ata totaliza 72.536 horas, com valor estimado de R$ 2.103.544,00.

    Do ponto de vista técnico, chama atenção a elevada concentração de horas na Reserva Administrativa, o que amplia a flexibilidade de uso do contrato, mas também exige planejamento integrado, controle rigoroso e justificativas técnicas claras para cada requisição.


    3. Investimentos e fortalecimento da Guarda Municipal

    Paralelamente à contratação de segurança privada, o Município vem realizando investimentos expressivos na Guarda Municipal, incluindo armamento, munições, equipamentos e ampliação do efetivo.

    Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Ponta Grossa divulgou oficialmente a entrega de novas armas à Guarda Civil Municipal, reforçando sua capacidade operacional.

    Fonte oficial: Prefeita Elizabeth entrega novas armas para a Guarda Civil Municipal


    4. Dados públicos da atuação da Guarda Municipal

    A própria Prefeitura disponibiliza estatísticas oficiais sobre a atuação da Guarda Municipal, com registros periódicos de ocorrências, atendimentos e ações operacionais.

    Fonte oficial: Estatísticas da Guarda Municipal – Prefeitura de Ponta Grossa

    Os dados demonstram que a Guarda Municipal atua de forma contínua, ostensiva e mensurável, afastando a ideia de estrutura meramente simbólica.


    5. Quadro-resumo comparativo

    A comparação abaixo sintetiza as principais diferenças estruturais entre a Guarda Municipal e a segurança privada contratada.

    Natureza
    Guarda Municipal: órgão público municipal
    Segurança Privada: empresa privada contratada

    Armamento
    Guarda Municipal: pistolas 9mm, fuzis 5.56 e munições
    Segurança Privada: não armada

    Atuação
    Guarda Municipal: policiamento preventivo e ostensivo
    Segurança Privada: vigilância patrimonial e apoio a eventos

    Valor identificado
    Guarda Municipal: investimento público contínuo
    Segurança Privada: R$ 2.103.544,00


    6. Conclusão

    A contratação de segurança privada em Ponta Grossa é formalmente legal.

    Contudo, do ponto de vista da gestão pública, a análise revela fragilidade no planejamento integrado, especialmente diante dos investimentos realizados na Guarda Municipal.

    O risco identificado não é jurídico, mas de ineficiência na alocação de recursos públicos, decorrente da ausência de alinhamento entre a política de segurança pública e as decisões administrativas de contratação.

    ⚠️ Atenção: contratação paralela fora do Pregão Eletrônico

    Durante a análise documental, foi identificada a existência de uma contratação direta por dispensa de licitação, formalizada por meio da Dispensa nº 01/2026, que não integra o Processo SEI nº 005966/2026, referente ao Pregão Eletrônico nº 136/2025.

    A contratação teve como objeto a prestação de serviços de segurança ostensiva desarmada para a Festa da Uva 2026, vinculada à Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com valor total de R$ 124.432,00, fundamentada no art. 75, inciso VIII, da Lei nº 14.133/2021.

    Embora a contratação por dispensa seja juridicamente prevista, sua ocorrência em paralelo a um processo licitatório já existente reforça a necessidade de planejamento integrado e de avaliação técnica sobre a utilização dos instrumentos disponíveis, incluindo a Ata de Registro de Preços e a capacidade operacional da Guarda Municipal.

    Documento de Dispensa de Licitação nº 01/2026 - USN Segurança Privada LTDA

    Documento oficial de Dispensa de Licitação nº 01/2026 referente à contratação de segurança ostensiva desarmada para a Festa da Uva 2026 pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – USN Segurança Privada LTDA.


    Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto
    Administrador – CRA-PR nº 33.049
    Gestor Ambiental – CREA-PR nº PR-230587/D

    Especialista em Gestão Pública e em Gestão Estratégica de Pessoas e Inovação.
    Graduando em Gestão Pública com ênfase municipal pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).

  • Vereador fala em “rachadinha” na Câmara de Ponta Grossa e recua por falta de provas

    Uma declaração do vereador Ricardo Zampieri (PL) trouxe novamente à tona um tema sensível — e grave — dentro da Câmara Municipal de Ponta Grossa: a suspeita de prática de “rachadinha” em gabinetes parlamentares.

    Em entrevista ao Portal Mareli Martins, Zampieri afirmou que esse tipo de crime existe na Câmara, embora tenha evitado citar nomes. Segundo ele, seus assessores não participam da prática, mas outros gabinetes sim.

    “Meus funcionários não têm rachadinha, tem uns que têm lá”

    Questionado sobre quem seriam os envolvidos, o vereador recuou e disse não poder falar por falta de provas:

    “Se eu pudesse provar, eu falava aqui agora”

    A declaração não é pequena. Quando um vereador afirma publicamente que há prática criminosa dentro do Legislativo, o assunto deixa de ser retórica política e passa a exigir apuração institucional.


    O Blog do Muka já questionou, em outros momentos, o contrato de locação de veículos da Câmara. No primeiro momento, a crítica era legítima: o custo elevado naturalmente gera desconfiança sobre o uso do dinheiro público.

    Com o tempo e com uma análise mais prática da realidade, é preciso reconhecer que o veículo oficial, quando bem utilizado e fiscalizado, é uma ferramenta importante para o trabalho parlamentar. O vereador precisa ir aos bairros, atender moradores, acompanhar demandas e estar presente onde a população está.

    Imposto é exatamente para isso: dar condições ao poder público de servir a população. Nesse ponto, o atual presidente da Câmara acertou ao estruturar a frota, desde que haja controle, rastreamento e uso exclusivo para o interesse público.


    O problema central, portanto, não está no carro. Está na denúncia muito mais séria feita pelo próprio vereador.

    Falar em “rachadinha” não é discutir gasto público, é apontar possível crime. Se há indícios, a Câmara precisa se manifestar. Se há suspeita, o Ministério Público precisa ser provocado.

    O que não pode acontecer é esse tipo de afirmação ficar solta, jogada ao vento, sem investigação.

    Combater desperdício é importante.
    Combater desvio e corrupção é obrigação.


    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto é administrador, gestor ambiental, especialista em gestão pública, especialista em gestão estratégica de pessoas e inovação, e atua com recursos comunitários e desenvolvimento local em Ponta Grossa.

  • 2026 começou: Obras, Saúde e o Orçamento de R$ 2 Bilhões

    2026 começou: Obras, Saúde e o Orçamento de R$ 2 Bilhões

    2026 Começou: Obras e o Orçamento de R$ 2 Bilhões em Ponta Grossa

    Janeiro é mês de planejar e, acima de tudo, fiscalizar. Com um orçamento recorde aprovado para este ano, o Blog do Muka traz os pontos principais que todo cidadão precisa acompanhar.

    🚜 Infraestrutura e Bairros

    • Núcleo Borsato: Frentes de pavimentação já anunciadas para este mês.
    • Ouro Verde e Santa Tereza: Investimento previsto de R$ 16 milhões para melhorias viárias.

    🏥 Saúde Pública

    A transição da Fundação para a Secretaria Municipal de Saúde promete agilizar processos. Além disso, a Carreta da Oftalmologia segue no Parque Ambiental com foco em reduzir filas de espera.

    📢 A Palavra é Sua!

    O Blog do Muka vai seguir acompanhando cada centavo desse orçamento.

    No seu bairro o asfalto chegou? A iluminação funciona?

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  • Cabelos brancos podem indicar mecanismo natural do corpo contra o câncer, aponta estudo

    Cabelos brancos podem indicar mecanismo natural do corpo contra o câncer, aponta estudo

    Cabelos brancos podem indicar mecanismo natural do corpo contra o câncer

    Cabelos brancos podem indicar mecanismo natural do corpo contra o câncer, aponta estudo

    Por Pedro Silvini • 13/01/2026 • Ciência & Saúde
    Cabelos brancos e envelhecimento

    Símbolo clássico do envelhecimento, os cabelos brancos podem ter um significado que vai além da estética. Um estudo recente divulgado pela BBC News e publicado na revista científica Nature Cell Biology aponta que o surgimento dos fios grisalhos pode estar relacionado a um mecanismo natural do organismo para impedir o desenvolvimento de câncer, especialmente o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele.

    O papel das células-tronco dos melanócitos

    A pesquisa concentra-se nas chamadas células-tronco dos melanócitos, responsáveis por originar os melanócitos — células que produzem melanina, o pigmento que dá cor ao cabelo e à pele. Essas células ficam armazenadas nos folículos capilares e, ao longo da vida, são ativadas para manter a pigmentação dos fios.

    Ilustração científica do folículo capilar

    Segundo os pesquisadores, quando essas células sofrem danos graves no DNA, como quebras duplas, elas entram em um processo chamado de seno-diferenciação. Nesse mecanismo, as células amadurecem de forma irreversível e deixam de se renovar, o que resulta na perda de pigmentação e no surgimento dos cabelos brancos.

    “Auto-sacrifício” celular como estratégia de defesa

    “Essas descobertas mostram que a mesma população de células-tronco pode seguir destinos opostos — exaustão ou expansão — dependendo do tipo de estresse e dos sinais do microambiente.”

    — Emi Nishimura, Universidade de Tóquio

    De acordo com a pesquisadora, esse processo funciona como uma espécie de “auto-sacrifício” celular. Ao interromper sua capacidade de se multiplicar, a célula danificada reduz o risco de acumular mutações que poderiam dar origem a tumores.

    Nesse contexto, o cabelo grisalho seria uma consequência visível de um mecanismo interno de proteção biológica, e não apenas um sinal de envelhecimento.

    Quando o mecanismo falha, o risco aumenta

    Exposição ao sol e câncer de pele

    O estudo também aponta que esse sistema de proteção pode falhar em situações como exposição excessiva à radiação ultravioleta ou a substâncias químicas carcinogênicas. Nesses casos, as células continuam se renovando mesmo com danos no DNA, aumentando o risco de proliferação descontrolada e desenvolvimento de tumores, como o melanoma.

    Segundo os autores, o embranquecimento dos cabelos e o câncer de pele não devem ser vistos como eventos isolados, mas como respostas distintas do organismo ao estresse celular.

    Pedro Silvini
    Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.
  • Quando a estética convence mais que a saúde

    Quando a estética convence mais que a saúde

    O debate seletivo sobre ciência, medicamentos e prioridades sociais

    Por Samuel Sleiman — Jornalismo e Análise Social | Blog do Muka

    Debate sobre estética, saúde e ciência
    A relação contraditória da sociedade com medicamentos, ciência e estética.

    O debate em torno do uso de medicamentos como o Mounjaro expõe uma contradição cada vez mais evidente no comportamento social contemporâneo: a seletividade na forma como a ciência é aceita, questionada ou rejeitada.

    Quando o assunto são vacinas, políticas públicas de saúde ou ações coletivas, parte significativa da população reage com desconfiança. Exige estudos, questiona intenções, suspeita de interesses econômicos e politiza decisões técnicas. Em muitos casos, a ciência passa a ser tratada como opinião.

    No entanto, quando o tema é estética, emagrecimento rápido ou adequação a padrões corporais, a postura muda radicalmente. O questionamento desaparece. A prescrição informal é relativizada. O risco passa a ser considerado aceitável — desde que o resultado seja visível e imediato.

    Essa incoerência não diz respeito apenas ao medicamento em si, mas ao valor que a sociedade atribui ao corpo, à aparência e à validação social. O que deveria ser uma discussão séria sobre saúde, acompanhamento médico e critérios técnicos acaba reduzido a uma lógica de consumo.

    Questionar é saudável. Desconfiar também faz parte do exercício democrático. O problema surge quando esse questionamento é aplicado de forma seletiva — rigoroso para o que é coletivo e permissivo para o que atende desejos individuais.

    O jornalismo, a saúde pública e a gestão responsável têm um papel fundamental nesse cenário: recolocar o debate no eixo da coerência, da informação qualificada e da responsabilidade social. Não se trata de demonizar medicamentos ou impor verdades absolutas, mas de exigir o mesmo critério para todas as decisões que envolvem risco, ciência e vida.

    A ciência não pode ser confiável apenas quando convém.


    Bibliografia e referências

    Blog do Muka — Jornalismo, análise política e reflexão social

    Sobre o autor
    Samuel Sleiman - Blog do Muka

    Samuel Sleiman

    Administrador Social, líder comunitário, consultor institucional e editor do Blog do Muka. Atua com análise política, gestão pública, controle social, projetos do terceiro setor e comunicação institucional, sempre com foco em transparência, responsabilidade pública e desenvolvimento social.

    🔗 blogdomuka.com.br

  • Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa?

    Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa?

    Por que o IPTU aumentou em Ponta Grossa – valor venal, PGV e IVA Dual

    Valor venal, Planta Genérica de Valores e a adequação dos municípios ao novo sistema tributário (IVA Dual)

    O reajuste do IPTU em Ponta Grossa voltou a gerar dúvidas, críticas e questionamentos entre os contribuintes. Muitos moradores afirmam que seus imóveis não passaram por qualquer alteração e, ainda assim, o valor do imposto aumentou.

    A sensação é compreensível. No entanto, o IPTU não incide apenas sobre a construção em si, mas sobre um conjunto de fatores que envolvem localização, infraestrutura urbana, valor de mercado e políticas fiscais do município.

    Nos últimos anos, esse debate ganhou um novo elemento: a reforma tributária e a transição para o chamado IVA Dual, que tem impactado diretamente o planejamento financeiro das cidades brasileiras.

    Correção monetária: o reajuste anual

    Um dos fatores do aumento do IPTU é a aplicação anual da correção monetária, normalmente baseada em índices oficiais de inflação, como o IPCA.

    Tecnicamente, essa atualização não é considerada aumento real, mas um mecanismo para evitar a perda do poder de arrecadação do município diante da inflação acumulada.

    Valor venal e a Planta Genérica de Valores (PGV)

    O IPTU é calculado com base no valor venal do imóvel, definido pela Planta Genérica de Valores (PGV), que estabelece quanto valem os imóveis em cada região da cidade.

    Quando a PGV é atualizada, bairros que passaram por valorização urbana acabam tendo uma base de cálculo maior. Essa valorização pode decorrer de:

    • pavimentação e obras viárias;
    • melhorias em iluminação pública e drenagem;
    • expansão comercial e de serviços;
    • crescimento urbano e adensamento populacional.

    Mesmo que o imóvel não tenha sofrido reformas, a valorização do entorno influencia diretamente no imposto.

    A reforma tributária e o IVA Dual

    A reforma tributária aprovada no Brasil criou um novo modelo de tributação sobre o consumo, conhecido como IVA Dual, composto pela CBS (federal) e pelo IBS (estadual e municipal).

    Esse sistema substituirá gradualmente tributos como o ISS e o ICMS, que hoje representam parcela relevante das receitas públicas. Durante o período de transição, os municípios precisam demonstrar organização fiscal, base cadastral atualizada e capacidade arrecadatória própria.

    Nesse cenário, a atualização do IPTU e do valor venal dos imóveis passa a ser uma medida técnica de adequação, necessária para que cidades como Ponta Grossa:

    • mantenham equilíbrio financeiro;
    • evitem perda de repasses futuros;
    • consigam planejar políticas públicas de médio e longo prazo.
    Importante:

    A adequação do IPTU ao novo contexto tributário não tem como objetivo exclusivo aumentar a carga sobre o cidadão, mas alinhar a base de cálculo à realidade urbana e às exigências do sistema nacional.

    O direito do contribuinte

    O contribuinte tem o direito de solicitar revisão do valor venal sempre que identificar erros cadastrais, avaliações incompatíveis com a realidade do imóvel ou ausência de critérios claros.

    Transparência, acesso à informação e canais efetivos de contestação são fundamentais para garantir justiça tributária.

    O desafio de Ponta Grossa — assim como o de outros municípios — é equilibrar a necessidade de adequação fiscal ao novo sistema tributário com a realidade econômica da população.

    O debate sobre o IPTU precisa ir além da polarização e avançar para critérios técnicos, comunicação clara e responsabilidade institucional.

    Sobre o autor

    Samuel Sleiman Mouchaileh Neto

    Administrador Social, Líder Comunitário e consultor em gestão institucional e políticas públicas. Atua na análise de orçamento público, justiça fiscal, desenvolvimento local e transparência.

    Autor do Blog do Muka • Ponta Grossa – PR