As pesquisas colocam Sergio Moro na liderança, enquanto Sandro Alex concentra o apoio de Ratinho Junior e de uma ampla estrutura partidária. Os números favorecem Moro, mas a campanha governista ainda possui instrumentos para tentar modificar o cenário.
Por Samuel Sleiman Mouchaileh Neto — Muka | Atualizado em 26 de julho de 2026
Sergio Moro e Sandro Alex estão entre os principais candidatos ao Governo do Paraná. Fotos: Senado Federal e Câmara dos Deputados.
A corrida pelo Governo do Paraná entrou oficialmente em uma nova fase. No dia 25 de julho, o PSD realizou sua convenção estadual e confirmou o deputado federal Sandro Alex como candidato à sucessão do governador Ratinho Junior.
A oficialização ocorreu em um momento no qual o senador Sergio Moro, candidato do PL, mantém uma liderança expressiva nas pesquisas de intenção de voto. Ao mesmo tempo, Sandro Alex passa a contar com uma das maiores estruturas partidárias da disputa estadual.
Esse contraste ajuda a explicar o atual cenário eleitoral: Moro começa com mais votos, enquanto Sandro começa com mais estrutura política.
A vantagem de Moro é real e precisa ser reconhecida. No entanto, ainda existem fatores capazes de modificar o comportamento do eleitorado, como o início da propaganda eleitoral, os debates, a exposição dos candidatos, a avaliação do governo estadual, as alianças municipais e a capacidade de transferência de votos de Ratinho Junior.
A disputa está aberta, mas não está equilibrada neste momento. Moro é o favorito nos números; Sandro Alex tentará reduzir a diferença por meio da força política do grupo governista.
Moro possui uma liderança ampla nas pesquisas
A pesquisa mais recente do Instituto Neokemp, realizada nos dias 20 e 21 de julho de 2026, colocou Sergio Moro na liderança com 40,7% das intenções de voto.
| Candidato | Partido | Intenção de voto |
|---|---|---|
| Sergio Moro | PL | 40,7% |
| Requião Filho | PDT | 18,6% |
| Sandro Alex | PSD | 10,6% |
| Rafael Greca | MDB | 9,6% |
| Luiz França | Missão | 3,1% |
| Tony Garcia | DC | 1,9% |
No cenário sem Rafael Greca, Moro alcança 46,7%, seguido por Requião Filho, com 22%, e Sandro Alex, com 12,5%.
O levantamento ouviu 1.008 eleitores, possui margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PR-02941/2026.
Esses números mostram que Moro não possui apenas uma vantagem pequena ou circunstancial. Ele inicia a campanha com reconhecimento estadual e nacional, eleitorado próprio e uma posição consolidada no primeiro lugar.
Por isso, a análise mais objetiva é reconhecer que Sergio Moro é hoje o favorito na disputa pelo Palácio Iguaçu.
Requião Filho também precisa ser considerado
Embora o debate político esteja cada vez mais concentrado entre Moro e o candidato indicado por Ratinho Junior, os levantamentos mais recentes colocam Requião Filho na segunda posição.
Na Neokemp, o deputado estadual aparece com 18,6%, quase oito pontos à frente de Sandro Alex. Isso significa que o representante do PDT não pode ser ignorado na análise, especialmente diante da possibilidade de segundo turno.
Requião Filho possui um sobrenome conhecido no estado, uma base política própria e espaço para consolidar o eleitorado de oposição que não se identifica com Moro ou com o grupo governista.
Sandro Alex foi oficializado como candidato da continuidade

A convenção do PSD realizada em Curitiba reuniu o governador Ratinho Junior, o vice-governador Darci Piana, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, lideranças políticas, parlamentares e prefeitos.
Durante o evento, Sandro Alex apresentou sua candidatura como uma proposta de continuidade da administração estadual. Ratinho Junior também o apontou publicamente como o representante de seu grupo político para a sucessão.
Essa vinculação será fundamental para a estratégia governista. Sandro ainda é menos conhecido que Moro em diversas regiões do Paraná e dependerá da presença do governador para ampliar sua identificação junto ao eleitorado.
Um levantamento do Instituto IRG, realizado em junho, demonstrou o potencial dessa associação. Quando os entrevistados eram informados de que Sandro Alex tinha o apoio de Ratinho Junior, o candidato alcançava 27,5%, contra 39,1% de Moro.
Em uma simulação de segundo turno com os padrinhos políticos apresentados, Moro aparecia com 42,5% e Sandro Alex com 38,5%, resultado considerado tecnicamente mais próximo dentro da margem de erro.
Esse cenário não pode ser comparado diretamente com a Neokemp, pois os institutos utilizaram perguntas e metodologias diferentes. Ainda assim, ele indica que o apoio explícito de Ratinho Junior pode aumentar a competitividade de Sandro.
A ampla coligação é a principal força de Sandro Alex

Além do apoio do governador, a candidatura de Sandro Alex reúne uma ampla composição partidária.
Até a convenção do PSD, a aliança incluía o Republicanos, o Avante, a Federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — e a Federação PSDB-Cidadania.
Na prática, isso significa uma rede formada por prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, dirigentes partidários e candidaturas proporcionais atuando em diferentes regiões.
A capilaridade municipal pode ajudar Sandro a tornar seu nome mais conhecido e a aproximar a campanha dos eleitores que ainda não acompanham a sucessão estadual.
No entanto, estrutura partidária não se transforma automaticamente em voto. Prefeitos e vereadores podem ajudar na mobilização, mas o eleitor mantém autonomia para avaliar os candidatos e votar de maneira diferente das orientações de suas lideranças locais.
O principal desafio da campanha governista será converter apoio de partidos e lideranças em intenção efetiva de voto.
A continuidade traz vantagens, mas também cobra respostas
Ser apresentado como candidato da continuidade permite a Sandro Alex reivindicar os resultados, programas, obras e investimentos realizados durante os dois mandatos de Ratinho Junior.
Entretanto, a continuidade também implica assumir o desgaste e as críticas dirigidas à atual administração.
Durante a campanha, deverão aparecer questionamentos sobre a qualidade e o atendimento de serviços públicos, a atuação de empresas estaduais, o modelo de concessões rodoviárias, os pedágios, as condições das estradas, a política educacional e a proteção dos dados utilizados nos sistemas digitais do Estado.
Entre esses temas está a Celepar, responsável por sistemas e soluções tecnológicas utilizados pela administração estadual. Em uma sociedade cada vez mais digitalizada, o tratamento de informações como CPF, documentos, e-mails, fotografias e dados de acesso exige transparência, segurança e mecanismos permanentes de fiscalização.
Essas discussões não devem ser tratadas apenas como ataques eleitorais. Elas fazem parte do direito da população de avaliar a qualidade dos serviços e cobrar compromissos concretos dos candidatos.
Sandro Alex precisará explicar quais políticas pretende manter, quais pretende aperfeiçoar e como sua eventual administração responderá aos problemas percebidos pela população.
Moro lidera, mas também possui vulnerabilidades
A liderança nas pesquisas coloca Moro em posição privilegiada, mas também faz com que ele se torne o principal alvo dos adversários.
Na pesquisa Neokemp, 27,6% dos entrevistados disseram que não votariam nele de maneira alguma. Sandro Alex apresentou rejeição de 5,3%, enquanto Requião Filho registrou 38,9%.
A comparação exige cautela. Moro e Requião são mais conhecidos, o que naturalmente produz opiniões positivas e negativas mais consolidadas. Sandro ainda pode ter sua rejeição alterada conforme aumentar sua exposição.
Moro também precisará demonstrar que sua experiência política e jurídica pode ser convertida em capacidade administrativa para comandar um estado com 399 municípios e demandas distintas nas áreas de saúde, educação, segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico e proteção social.
Além disso, enfrentará uma coalizão que possui o governo estadual, uma extensa base municipal e recursos políticos para questionar sua trajetória e suas propostas.
A disputa está aberta, mas Moro larga na frente
A análise equilibrada do atual momento exige reconhecer duas realidades simultâneas.
A primeira é que Sergio Moro possui uma liderança ampla e consistente. Os principais levantamentos o colocam em primeiro lugar e, neste momento, ele é o favorito.
A segunda é que Sandro Alex possui instrumentos para crescer. Ele conta com o apoio de Ratinho Junior, uma grande aliança partidária, presença municipal e uma campanha voltada a associar seu nome à atual administração.
Também não se pode desconsiderar Requião Filho, que aparece na segunda colocação da pesquisa mais recente e poderá disputar uma vaga no segundo turno.
Moro começa com os votos.
Sandro Alex começa com a estrutura.
Requião Filho busca consolidar a segunda posição.
As pesquisas são fotografias do momento, não sentenças definitivas sobre o resultado. A campanha eleitoral, os debates, as alianças, os acontecimentos políticos e a avaliação da população ainda poderão alterar o cenário.
Portanto, a disputa pelo Governo do Paraná continua aberta. Isso não significa que todos os candidatos estejam atualmente em condições iguais, mas que ainda há tempo e espaço político para mudanças.
A decisão final não pertence aos partidos, às lideranças, às estruturas eleitorais ou aos institutos de pesquisa.
A decisão pertence ao eleitor paranaense.
Samuel Sleiman Mouchaileh Neto — Muka
Administrador Social | Liderança Comunitária
Blog do Muka
Fontes consultadas
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Pesquisa Neokemp para o Governo do Paraná — Gazeta do Povo
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PSD homologa Sandro Alex ao Governo do Paraná — Band Paraná
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Federação PSDB-Cidadania anuncia apoio a Sandro Alex
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União Brasil e Progressistas declaram apoio à candidatura
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Pesquisa IRG com os apoios políticos apresentados aos entrevistados
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Perfil oficial de Sergio Moro — Senado Federal
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Perfil oficial de Sandro Alex — Câmara dos Deputados
Nota editorial: pesquisas eleitorais representam o cenário existente no período em que as entrevistas foram realizadas. Resultados de institutos diferentes não devem ser comparados isoladamente sem considerar metodologia, amostra, margem de erro, período de campo e formulação das perguntas.












