Mobilização ou Ação Concreta? O Verdadeiro Papel da Liderança Comunitária

A política do futuro deve nascer no chão das comunidades, onde os problemas são reais e urgentes, e onde a coragem de enfrentar o crime vale muito mais do que qualquer ato superficial.

Recentemente, fui convidado a participar de uma manifestação política na Avenida Balduino Taques, em cruzamento com a Vicente Machado, onde o ato consistiria em buzinar e distribuir panfletos com a mensagem “Fora Lula”. Ao questionar sobre os motivos, recebi uma resposta já conhecida: “Lula é ladrão, foi preso e o Brasil vai virar uma Venezuela.”

Diante desse discurso, procurei provocar uma reflexão prática. Perguntei se, no bairro em que ele mora, havia muitos roubos e furtos. A resposta veio de imediato: “Claro, a cidade está perdida.”

Foi então que compartilhei a experiência da nossa comunidade. Recentemente conseguimos a prisão de dois envolvidos em crimes locais e seguimos investigando o possível mandante dos roubos. Isso, a meu ver, é um exemplo concreto de transformação real: combater diretamente os problemas que afetam a vida das famílias, em vez de apenas ocupar ruas e avenidas com buzinaços e faixas.

Não questiono o direito de ninguém se manifestar, ele é legítimo e faz parte da democracia. Eu mesmo já participei de vários atos ao longo dos anos. No entanto, essa vivência me permitiu chegar a uma conclusão: a mudança efetiva não virá de um ato simbólico isolado, mas sim do trabalho diário de enfrentamento aos problemas que assolam nossos bairros. Fotos, vídeos e hashtags podem gerar repercussão momentânea, mas não asseguram tranquilidade às famílias que vivem sob a ameaça da criminalidade.

O voto consciente é, sem dúvida, um instrumento poderoso de transformação. Contudo, ele precisa ser acompanhado de uma postura de cidadania ativa e de liderança responsável.

É nessa frente que tenho me empenhado: buscar soluções locais, dialogar com autoridades competentes e assumir o risco de enfrentar a criminalidade, ainda que isso me traga ameaças e represálias.

A política do futuro deve nascer no chão das comunidades, onde os problemas são reais e urgentes, e onde a coragem de enfrentar o crime vale muito mais do que qualquer ato superficial.

Samuel Sleiman – Administrador Social, ESCRITOR, Especialista em Gestão Pública
Samuel Sleiman falando sobre segurança comunitária e cidadania ativa.

Talvez essa postura não se traduza em votos. Mas acredito que o verdadeiro legado de uma liderança comunitária não é a conquista de cargos políticos, mas sim a construção de um ambiente seguro e digno para que nossos filhos e netos possam crescer.

Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

BOBBIO, Norberto. O Futuro da Democracia. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

PUTNAM, Robert. Comunidade e Democracia: a experiência da Itália moderna. Rio de Janeiro: FGV, 2006.SEN, Amartya. 

Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

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